You can’t always get what you want

Quem realmente se importa com o passado? Até um preto velho e meio analfabeto já sabia que pedras que rolam não criam musgo. Não faz diferença alguma no presente e no futuro muito menos quaisquer sentimentos anteriores ao que se precisa agora. Ou se quer. Ou se pode.

Um amontoado de escolhas alopradas não define ninguém. Se existe algo desse tipo, só pode ser a merda que fede agora, a flor que agora perfuma a sala, a música que abre pernas ou leva a noite arrastada em meio a mil contas que não fecham e mesmo assim faz tudo parecer ok. O que quer que importe, só importa agora, porque ninguém existe antes ou depois.

E mesmo que no fim do dia seja tudo por ela, ainda assim é pelo que ela dá agora que as contas são feitas e não faz a menor diferença onde ela está ou o que faz da vida tão longe. E nem todas as lembranças do mundo valem um milésimo desse segundo.

Ninguém vive bem sabendo que não pode ter tudo o que quer, mas sempre há um jeito de fazer de conta que as coisas estão certas. Talvez numa festa todos nos esnobem ou talvez esnobemos a todos antes mesmo de sermos esnobados. Talvez o erro do mundo seja supor que lhe daremos algum sentido e nosso erro seja acreditar nisso. E nós não morremos por ninguém ainda porque agora há gente apostando alto que isso não vale mais nada, mas mesmo que possam nos tirar isto, não podem nos tirar este segundo, este minúsculo ponto em que todas as dúvidas se encontram e todos os planos se desfazem e qualquer sentido perde seu lugar naquela última reta.

Ninguém acredita que os bancos se importem quando ligam cobrando. É, é verdade que foi num dia de sol que te emprestaram um guarda-chuva e é num dia de chuva que exigem ele de volta. Se não há santos que amam quando isso é o que mais se precisa, sempre há um problema novo que podemos criar para passar o tempo.

O diabo nunca esteve numa encruzilhada esperando por algum violão perdido num ombro cego. Ele sempre esteve no seu colo, fazendo todo tipo de sujeira pelo caminho. Um cavalo carregado pela carroça, é o que ele vem aprontando desde sempre. Não há esperança que isso mude, mas, sim, no fundo de uma garrafa sempre há uma boa conversa e talvez um bom plano.

Mandamos para o alto e até para o inferno uma chuva tão grossa de lâminas verdes tão afiadas que fazem o diabo parar de assistir a seus escravos estuprarem a velha liberdade, aquela filha duma cadela bixiguenta que nunca cumpre o que a ouvimos prometer sem que ela jamais tenha aberto a boca. Regamos com o pior mijo que o uísque pode fabricar todo tipo de planta que possa dar frutos e torcemos para que nossos filhos consigam fazer as sementes brotarem algo mais forte e grande o suficiente para todos nos agarrarmos antes que a tempestade piore.

Pelo topo do lixo estão os que apostam seus rabos brilhantes que talvez seja verdade que Cristo fosse apenas o velho Satanás desperdiçando outra oportunidade de fazer as pazes conosco. Pelo lado de baixo vão os que não sabem de nada disso e só se deixam hipnotizar pelo brilho do traseiro das ratazanas.

E foi no meio disso tudo que velhos inimigos se uniram para vender a fantasia de um passado fértil, esmagando as bolas de geração após geração, até que a mais bicha das bichas tomasse o lugar de John Wayne. Eles só não esperavam pelo desespero alcoolizado de alguns tantos que ainda querem tudo porque podem quase tudo. Mesmo mentir para si mesmos para enganarem o diabo.

E que Deus nos perdoe por tudo que acontecer antes de termos razão nesse plano de fundo de garrafa.

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2 Responses to You can’t always get what you want

  1. John, o senhor está mesmo seguro da existência do diabo? Obrigado por escrever.

  2. bena disse:

    Atéquemfim sr. Resende, pensei que tinha abandonado o blog.
    Abraços.
    Veiobenatti.

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