UMA GALERA ENCONTROU A SAÍDA PARA O BRASIL

22 outubro, 2010


O bicho tá pegando em território americano. A culpa é dos brazucas. Algum graúdo da burocracia do Tio Sam pode pensar neste momento: “Quantos funcionárias nós precisar para dar conta de tantas selvagens querendo ir pro civilizacion?”. A embaixada americana não agüenta o tranco, as filas para obter visto americano são gigantescas. Resolveram fazer um mutirão e vão atender até no domingo, média de 2500 pessoas por dia, segundo notícia do UOL: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/818712-embaixada-dos-eua-faz-mutirao-para-atender-demanda-por-vistos.shtml. A maioria esmagadora dos pedidos é de visto de turista. Quem acreditar que essa gente toda só quer ver o Mickey de perto, por favor, ajude com a caridade e compre uma rifa de um Passat, procurar o Sr. Paulo Maluf. A cambada tá é dando no pé. Nego sabe muito bem que a realidade é bem diversa das maravilhas televisivas que o PT anda propagando. Estão de saco cheio de pagar impostos, criarem um monte e nada dar certo. Parte razoável da gente criativa e empreendedora decidiu: a saída para o Brasil é o aeroporto.

A quantidade de pessoas se mandando paa o exterior só cresce e não tem nada a ver com viagens de férias. Vão na informalidade mesmo, arriscar, tentar a sorte, porque por aqui a sorte foi transformada em uma repartição pública.

Os empreendedores sofrem com a burocracia e com os juros altos. Se quiserem uma dessas linhas d crédito mais baratas, mas nem tanto, que o estado oferece, precisam além de pagar os juros normais e ter de respeitar as leis como qualquer outro, precisam ainda se comprometer a seguir uma série de diretrizes ideológicas. E hoje é muito mais negócio montar uma ONG do que uma padaria, porque muito mais fácil, menos tributado e menos fiscalizado.

Os indicadores econômicos podem estar até bem, razoáveis e decentes. Mas a galera sente que nisso tudo, algo não está bem: eles mesmos. Nesse particular, guardadas as devidas proporções, o Brasil se assemelha à China: a economia vai bem, o povo vai mal. Guardadas as devidas proporções, foi o escrito e espera-se que seja o lido.

A iniciativa científica brasileira é mais maltratada que filha solteira grávida, os artistas ou passam o pires num guichê estatal para ganhar umas merrecas uma ou duas vezes por ano ou continuam no amadorismo, os atletas, idem, noves fora as exceções de praxe. Pra todo lado que se olha, gente capaz, talentosa, dá com os burros n’água. Essa gente não acha grande negócio passar o resto da vida carimbando em repartição, nem ficar vendendo pasta de dente em balcão de farmácia ou mesmo contando dinheiro em caixa de banco. Essas opções podem ser sedutoras para quem mal consegue passar num vestibular ou simplesmente não tem maiores pretensões da vida, o que não é crime, nem pecado e nem mesmo é errado. Mas também não é errado que um músico talentoso queira viver desse talento. Ou um escritor. Ou um biólogo, o que for. Eles não querem ficar dependendo da boa vontade do político do momento para conseguir uns caraminguás para pagar as contas, querem que seus esforços se revertam em seu benefício próprio e, no processo, dar ao público algo útil e/ou bonito.

Vejamos um curioso caso. A Beyonce, artista multimilionária, cujos shows são uma mega-produção, teve sua banda montada por meio de anúncios de jornal. Nada de pegar oguitarrista queridinho da mídia ou amigo de fulano. Não, não, não. O produtor colocou um anúncio em revistas especializadas, digamos, a Guitarplayer, recebeu vídeos com as performances dos interessados, entrou em contato com eles, combinou o preço e contratou. Bastou ao interessado mostrar que tinha talento apto ao show do interessado, simples assim. E antes que alguém fique pensando que um show de uma cantora pop americana aceite qualquer coisa, adverte-se: a maioria esmagadora dos músicos que assiste ao show confirma que a banda é danada de boa. E do mesmo modo, muitos outros shows são montados assim. E músicos de estúdio ganham mais do que a maioria dos gravam discos próprios. E não há necessidade alguma de se apresentar um projeto burocrático a algum delegado de cultura do partidão, quer dizer, secretaria de cultura estatal.

Povo criativo, capaz, talentoso, gosta e precisa disto: liberdade. não quer saber de ficar em fila para conseguir um cartão qualquer coisa. Quer meter as caras e ver no que dá. E tentar de novo. Só precisa que haja espaço para tentar. Os pedreiros estão bem, é certo, sua mão de obra hoje é escassa e seu preço está batendo recordes e mais recordes. Ótimo, que isso aconteça também com os padeiros, pintores e faxineiros. Mas o mundo é muito mais vasto do que isto, há um sem número de pessoas que possuem outras capacidades e aptidões. O governo PT, francamente, pode ser bom para bancos, grandes construtoras e respectivos empregados, mas não para a galera que tem mais tutano que muque. Essa gente quer tentar viver do próprio talento e por aqui não dá, porque impera a mediocridade ou a venda de consciência. Projetos que não sejam aprovados pelos comitês de arte do estado não recebem verba. Desafia-se qualquer um a mostrar que haja um filme ou espetáculo de arte de caráter conservador financiado com dinheiro público. Pode ser um que não seja meramente “de vanguarda”, um politicamente incorreto, enfim, um qualquer que bata de frente com a agenda ideológica do governo de plantão. Não há.

Os EUA são recordistas em patentes porque recebem de braços abertos cientistas, pesquisadores, professores. No Canadá, eles aceitam até advogados formados no Brasil. Não pedem nenhum tipo de compromisso ideológico, só que trabalhem. Aqui, ou reza a cartilha do governo, ou encontra dificuldades, para dizer o mínimo e isto vale para todos os governos. Governo forte não faz bem para o desenvolvimento tecnológico e sem este, estaremos sempre reféns dos estrangeiros em áreas como saúde, telecomunicações, transporte e outras.

Não existe a menor necessidade de uma política pública para manter essas pessoas aqui. Não é preciso montar nenhuma estrutura burocrática, nada disso. Só é preciso que se dê mais ênfase no crescimento econômico, para que elas consigam encontrar quem se disponha a comprar sua arte, sua tecnologia, o que for. E, principalmente, liberdade, para dizer o que quiser e como quiser, para pesquisar o que quiser, para inventar o que quiser. As tais políticas públicas para a arte estão criando panelas de artistas, cujo mote ideológico é realimentado constantemente: só entra quem reza pela cartilha do governo e com isso se influencia novos artistas, que acabam achando tudo isso normal. Financiamento estatal de arte é compra de consciências. Se o governo quer mesmo ajudar, que simplesmente não atrapalhe, que deixe os artistas, cientistas, essa galera toda em paz, para irem onde sua criatividade os leva.

Isso de que o Estado precisa financiar a arte é balela. O cinema americano não tem financiamento estatal e boa parte dos filmes europeus chegam até as locadoras e salas de cinema são feitos com dinheiro privado. Se eles conseguem, por que não os brasileiros?

Os pesquisadores, por seu turno, sempre esbarram nas malditas burocracias acadêmicas para conseguirem uma pesquisa. Muitas vezes o problema não é nem falta de verba, mas a quantidade absurda de requisitos cretinos que devem atender, a maioria dos quais não tem nenhuma finalidade científica, só mesmo burocrática e política. Pior, as empresas não conseguem investir junto às universidades, porque o governo não permite que elas fiquem com as patentes das pesquisas que financiam. Aí só sobra ao pobre pesquisador ficar apresentando projetinho quadradinho ao CNPQ e CAPES.

Felicidades aos pedreiros, mas eles não são os únicos que merecem um lugar ao sol e os talentos que hoje dão no pé, farão falta e este mesmo pedreiro, que nem tem noção desse problema, será prejudicado pelo alto preço dos remédios brasileiros, sua má qualidade, sua escassez na rede pública e todas as mazelas decorrentes da falta de desenvolvimento tecnológico.

As pessoas que criam precisam de menos estado e não de mais. Azar dos funcionários da embaixada americana.

****
LEIA ABAIXO:

Sobre o erro de se dar mais crédito ao governo do que ao próprio trabalho e ainda comparar condição de vida de trabalhador de grande cidade com miserável do sertão:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/19/foi-voce-quem-melhorou-sua-vida-nao-o-lula/

Sobre um provocativo e deliberado confronto entre militantes que foi prometido pelos petistas para o dia 24, no RJ:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/22/vao-pro-pau-de-vez/

Sobre Lula ter perdido mais um oportunidade de ficar quieto, a vergonha do jornalismo do SBT e a agressão a José Serra no RJ:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/21/bolinha-de-papel-derruba-petistas-e-seus-militontos

Sobre nem o PT dizer onde estão suas propostas de governo, afora a TV:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/22/comparar-propostas-como-se-o-pt-nao-diz-onde-as-suas-estao/


Estranhezas

12 dezembro, 2008

Piada pronta na Áustria: a vida imita a arte no palco.

Trocar armas falsas pelas verdadeiras para que alguém se mate durante uma apresentação é um velho clichê do cinema. Mas agora aconteceu mesmo. A notícia é da BBC (pergunta: com internet grátis no escritório, por que o povo ainda lê Veja e outras besteiras?):

“Ator corta o próprio pescoço durante peça na Áustria

Um ator escapou por pouco da morte depois de ter cortado o próprio pescoço em cena durante uma apresentação no teatro Burgtheater, em Viena, na Áustria.
Daniel Hövels, de 30 anos, acreditava estar com a faca sem lâmina usada normalmente em peças de teatro, mas o que tinha nas mãos era uma faca verdadeira.
Após cair no palco com sangue jorrando pelo pescoço, ele foi levado imediatamente a um hospital, onde foi constatado que o corte por pouco não atingiu a principal artéria da região.
“Se ele tivesse se cortado com mais força ou até pegado uma artéria, provavelmente teria sangrado até morrer em cena”, disse ao jornal Österreich o médico que atendeu Hövels.
Aplausos
O incidente ocorreu no último fim de semana, durante a apresentação da peça Mary Stuart, de Friedrich Schiller. Em uma das cenas, o personagem de Hövels comete suicídio.
Segundo testemunhas, o público chegou a aplaudir o ator ensangüentado, acreditando se tratar de um efeito especial muito bem realizado. Somente após o ator ser retirado do palco é que os espectadores perceberam que algo estava errado.
A polícia austríaca agora está investigando se de fato houve um engano ou se ocorreu uma tentativa deliberada de ferir ou matar o ator.
A faca teria sido comprada em uma loja próxima ao teatro.
Hövels teve alta após receber tratamento no hospital e voltou ao palco já no dia seguinte, com uma bandagem em volta do pescoço”.