Guenon e o protestantismo

1 novembro, 2010

“Hay que destacar que, en una religión donde el elemento social y sentimental predomina sobre el elemento intelectual, la parte del dogma y la del culto se reducen simultáneamente cada vez más, de suerte que una tal religión tiende a degenerar en un «moralismo» puro y simple, como se ve un ejemplo muy claro de ello en el caso del protestantismo; en el límite, que, actualmente, ha alcanzado casi un cierto «protestantismo liberal», lo que queda ya no es una religión, puesto que no ha conservado más que una sola de las partes esenciales, sino simplemente una suerte de pensamiento filosófico especial.”
René Guenón, sobre o protestantismo, em Introdução Geral ao Estudo das Doutrinas Hindus.

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Por que engrandeceram o reducionismo que nada reduz?

18 dezembro, 2008

Cidadão que usa a curiosa alcunha de Pesky Bee lembra algo deveras importante:

“No dia 25 de Dezembro, iremos todos comemorar o nascimento de uma pessoa muito importante. Um marco para a humanidade, uma pessoa que influenciou imensamente todos nós. Nesse dia 25 de dezembro todos nós teremos que nos lembrar do nascimento dele, que foi fundamental para a humanidade. Sim, estou falando dele mesmo, em pessoa: ISAAC NEWTON!”

Colhamos da churraqueira umas brasas das grandes, separemo-as e as deixamos ali, avivadas, prontas para voar à boca de quem vier falar da oposição entre religião (visão metafísica) e ciência. “Ah, a ciência tem uma filosofia reducionista”. Haja saco.

A “filosofia reducionista” nem existe. E a oposição entre ciência e filosofia é absurda e resulta de um equívoco gerado pelo mau emprego das palavras, essa maldição plurívoca. Se filosofia usasse matemática, duvido muito que houvesse alguém dizendo coisas como “o homem não é biologia, é história” e outras maluquices.

O como das coisas, coisas propriamente ditas (pedras e paus), não é oponível ao porque das coisas na visão humana e nem às “coisas” (situações humanas, interações humanas, desejos humanos, etc – coisas da vida, digamos) e nem às significações das coisas e “coisas” para os humanos.

A descrição da natureza nunca foi tão bem feita como pelo método científico. Alguns filósofos e o público em geral confundiram tudo, acreditando que a descrição do Big Bang contradizia o Gênesis, o que decorre do fato de não compreenderem as naturezas distintas de ambos os discursos.

Essa história de que a ciência reduza o homem a isso ou aquilo é tolice. A ciência só mostra como as coisas são, não o significado delas e nem seu papel em qualquer plano, missão, destino ou o diabo que seja. O que a ciência faz é, grosso modo, descrever uma Ferrari friamente, o que resulta num discurso que, obviamente, tira dela toda a sua história, sua mística, valor sentimental, valor social, valor estético, etc, porque impertinentes ao objetivo da análise em questão; o que não quer dizer que eles não possam ser produzidos, só não estão presentes no como ela é. Dependendo do nível de análise, não há diferença alguma entre a descrição de uma Ferrari e um Fiat 147, mas é preciso ser muito xarope para acreditar que eles sejam a mesma a coisa em qualquer contexto (a significação deles aos proprietários, por exemplo) ou que a ciência está querendo reduzir uma “Ferrari” a um 147.

Valores são subjetivos, sempre, logo, dependem de quem vê, são produzidos por quem vê. A ciência não valora, descreve. Infelizmente, as diversas visões de mundo e do mundo usam um conjunto de palavras comuns absurdamente grande, mas para designar significados diferentes. Juízo de valor, juízo de realidade, seria necessário criar uma língua para cada?