PRÉ-SOCRÁTICOS

6 dezembro, 2010

“Pré-socráticos todos em 30 segundos: A filosofia começou com todo mundo procurando desembestadamente o princípio único que explica todas as coisas. Uns acharam que era a água, outros o ar, outros o fogo, o devir ou o estático. Daí chega Platão e diz “otários, não adianta procurar no mundo, o princípio único é o que está além do mundo”: pronto, é idolatrado e vira o filósofo mais importante da história. A partir daí, os pré-socráticos passam o resto da eternidade se perguntando por que não tiveram essa idéia antes. Educar é: arranjar alguma coisa esquisita para servir de princípio único de todas as coisas”.

Juarez Jandre, mostrando que sabe das coisas.


INTRIGANTE UNIFORMIDADE

6 dezembro, 2010

É ou não é intrigante que uma raça capaz de inventar um celular seja tão repleta de indivíduos fechados à convivência com idéias diferentes?


ENTRE O FORNO E A FRIGIDEIRA

6 dezembro, 2010

“Quando lei e moralidade se contradizem, o cidadão tem a cruel alternativa de perder seu senso moral ou perder o respeito pela lei” F Bastiat

Duro mesmo é saber que tem gente que não liga nem para um e nem para outro.


IMPORTÂNCIAS IMPERTINENTES

6 dezembro, 2010

Da série “irrelevâncias” notórias: Sua celebridade preferida do twitter já defecou hoje?


EXPLICANDO…

6 dezembro, 2010

Explicando o que é virose… Virose é o Efeito Borboleta das Doenças – Marco C. Amaral


SHIT PILL

6 dezembro, 2010

“O desejo de salvar a humanidade é sempre um pretexto para o desejo de controlá-la”. – HL Mencken


CRÔNICA DE UMA NOITE NO TEATRO

22 novembro, 2010

Uma crônica bucólica escrita por Nédier Brusamolin, cujo blog, http://meunomeenedier.blogspot.com/, tece loas apaixonadas à esquerda. Pouco importa, o que é bom de se ler é bom de se ler, oras, reverbera-se, que isso de esconder o que há de bom nos adversários ideológicos é coisa de gente de mente pequena.

Divirtam-se.

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Abriu a porta, a soleira uma moldura velha e descascada feita para um homem como ele. Ar cansado, rosto cheio de pó, cabelo sem corte e sem brilho, um terno grande despencando nos seus ombros. Entrou na sala-cozinha. Uma mesa no centro, um fogão, um armário de louça, uma pequena poltrona e um rádio em uma prateleira.. Além da porta de entradas, uma porta para o banheiro, outra para o quarto e uma janela compunham aquele lugar descorado e poeirento.

O homem sentou numa cadeira, sem nenhum cuidado, o peso do seu corpo pareceu, por instantes, que ia desmontar a cadeira. Sobre a mesa a carta. Leu em voz alta:.

“Raimundo, vou passar uns tempos na chácara da tia Mariquinha, não sei quando volto. Não sei se volto.” Não assinou.

Suspirou fundo, mal teve tempo de assimilar a notícia, pancadas na porta. Sem mudar a expressão disse em voz alta:

– Entre!

Entra o Juraci, nervoso, esfregando as mãos…

– Mundico, sou teu amigo há mais de 20 anos. A gente sempre foi sincero. Não dá mais pra agüentar.

– Se for falar da Jurema, já sei, não se preocupe, conheço a mulher. A vizinhança conhece. Sei que ela não saia do teu pé, que ia na tua casa quando eu viajava. Ele é bonitinha, não culpo você não resistir. Eu já não agüento ela já faz tempo. Ela facilitou. Leia a carta.

Leu.

– Pois é cara, ela queria fugir comigo, disse que tem umas economias que dava pra gente se estabelecer em outro lugar. Acabei de dizer pra ela que não sou louco, que estava me sentindo muito mal por tua causa e mandei ela se arrancar.

Pingos de água caíam sobre a mesa. O Raimundo, sem muita convicção afastando a carta de perto da água falou:

– Ta furado, é preciso consertar.

– Vamos sair cara, até o snooker, tomar umas. Pode ser que a gente possa conversar.

– Não tem mais o que conversar, vamos.

Saíram e apagaram a luz.

Som de passos apressados, uma mão surgiu no desvão da porta e acende a luz.

Morena, baixinha, de vestido justo e estampado e cabelos soltos até o ombro. Jurema. O rimel borrado e a pintura meio desfeita mostravam que havia chorado. Seu rosto mudou de expressão ao ver a carta sobre a mesa.

Pegou-a rapidamente e rasgou-a em picadinhos e jogou na lixeira.

– Ele ainda não chegou – falou pra si mesma, com alívio .

As cortinas de veludo azul desbotado se fecharam. Tambores e uma voz grave anunciaram:

– Fim do primeiro ato.

Nas arquibancadas de madeira meio molengas do Circo Teatro Áurea, umas vinte pessoas desacomodadas, tentavam achar um lugar sem goteiras.. A chuva forte caia sobre o toldo furado. E já encharcavam a serragem do chão.

Minha avó de taileur preto, de cabelos presos num coque e com um pó de arroz mais claro que sua pele, tinha uma postura de realeza,. Mesmo sentada naquelas tábuas velhas, com uma neta de cada lado parecia a rainha mãe, a rainha vó. Uma rainha. Ela nos prometera levar ao circo teatro e lá estávamos. A Liane e eu. Elas nos olhou e perguntou tranqüila:

– Acho que eles vão suspender. Não sobrou mais ninguém, estão todos indo embora. Querem ficar?

Queríamos. Ficamos.

Não lembro dos dois atos que foram representados só para nós três.

Só lembro do som da chuva, do colorido das roupas e da maquiagem exagerada dos personagens.

A casa de minha avó ficava a uns 200 metros do circo. Quando saímos a chuva passara e brilhavam umas tímidas estrelinhas no céu..