QUEREM CENSURAR MONTEIRO LOBATO

29 outubro, 2010


Querem censurar o Sítio do Pica Pau Amarelo. Querem censurar Monteiro Lobato, o primeiro autor brasileiro a se preocupar em escrever livros para crianças. É coisa do CNE (Conselho Nacional de Educação). Um parecer do órgão sugere que o livro “Caçadas de Pedrinho” não seja distribuído a escolas públicas e que seja proibida sua leitura em escolas privadas, ou que isso seja feito com um alerta, sob a alegação de que é racista. Essa sandice tem uma história curiosa e o pedido partiu de um especialista em candomblé.


Um aluno do mestrado de Educação da UNB fez uma denúncia contra Monteiro Lobato à Secretaria da Promoção da Igualdade Racial, vulgarmente conhecida como Ministério do Racismo. É o Sr. Antonio Gomes da Costa Neto, o qual terminou sua faculdade de letras na mesma UNB no ano de 2006 com o seguinte trabalho de conclusão de curso: “A Linguagem no Candomblé: uma visão sobre a cultura africana nos terreiros de Candomblé do Distrito Federal”. Antes disso ele escreveu um artigo chamado “Candomblés de Brasília: contribuição ao estudos dos rituais afro-brasileiros em Brasília”. Terminado seu trabalho de fim de curso, ele achou que vali a pena continuar e fez um outro, intitulado “A Linguagem no Candomblé: um estudo lingüístico sobre as comunidades religiosas afro-brasileiras”. As publicações foram feitas apenas num site governamental de nome Palmares. Jamais foram impressas por editora alguma.


O Sr Antonio é funcionário público, Técnico em Gestão Educacional da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Está afastado do cargo para fazer um mestrado em Educação e Políticas Públicas: Gênero, Raça/Etnia e Juventude, na linha de pesquisa em Educação das Relações Raciais. Faz uns 4 anos que ele não pega no batente. Guardem bem todos esses títulos e cargos, serão importantes mais à frente.


Feita a denúncia, o Ministério do Racismo achou por bem aceita-la e resolveu que era necessário proibir o livro ou meter-lhe um carimbo na capa advertindo que só pode ser lido mediante um complemente “sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura”. Vejamos alumgas das considerações feitas por quem tomou essa decisão doidivanas:


“a sua denúncia baseia-se em análise da obra tão somente em relação à temática das relações étnico-raciais na escola, que se constitui na sua área de pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Educação da UnB” Ou seja, só tem política e ideologia envolvida na denúncia, nada mais.


“A crítica realizada pelo requerente foca de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas. Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano, que se repete em vários trechos do livro analisado. A crítica feita pelo denunciante baseia-se na legislação antirracista brasileira, a partir da promulgação da Constituição de 1988”. Quem leu o livro sabe o quanto de estereótipo há na Tia Anastácia e quão longe da realidade social da época a sua figura era. A “crítica” baseia-se na Constituição de 1988. O livro foi escrito na década de 40 e é julgado com base numa interpretação, para ser bondoso, mui ampla da constituição de 1988. Bem, o denunciante sabe muito de candomblé e, como tal, talvez tenha ajuda de entidades poderosas paraprever o futuro, mas esse não era o caso de Monteiro Lobato.


“conclui-se que as discussões pedagógicas e políticas e as indagações apresentadas pelo requerente ao analisar o livro Caçadas de Pedrinho estão de acordo com o contexto atual do Estado brasileiro, o qual assume a política pública antirracista como uma política de Estado, baseada na Constituição Federal de 1988, que prevê no seu artigo 5º, inciso XLII, que a prática do racismo é crime inafiançável e imprescritível” Bem, primeiro confundem estado com governo, coisa típica da esquerdalha. Segundo, até nesse trecho não houve demonstração de nenhum ato de racismo no livro. Terceiro, a constituição até diz que o crime de racismo é imprescritível, só não diz que seja retroativo, o que nem poderia ser, em razão do disposto no artigo 5º, que pelo jeito o pessoal aí conhece, já que o citou.


“as ponderações feitas pelo Sr. Antônio Gomes da Costa Neto, conquanto cidadão e pesquisador das relações raciais, devem ser consideradas” Anotem mentalmente este trecho, guardem junto com aqueles títulos e cargos lá de cima.


“cabe à Coordenação-Geral de Material Didático do MEC cumprir com os critérios por ela mesma estabelecidos na avaliação dos livros indicados para o PNBE, de que os mesmos primem pela ausência de preconceitos, estereótipos, não selecionando obras clássicas ou contemporâneas com tal teor”. Ninguém provou logicamente que a obra seja racista, mas eles acham que isso é o de menos. Toda a coisa pode ser lida aqui: http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:BljR-3Hm1yMJ:portal.mec.gov.br/index.php%3Foption%3Dcom_docman%26task%3Ddoc_download%26gid%3D6702%26Itemid%3D+Antonio+Gomes+da+Costa+Neto&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESjAs1SagdqE1LEM08x_IFZXW877I8VhYR5XnsSWjdgn9ecSYCC0mDmT6VxODQbi1hcaXBdS6i3gqOIiwDbo-ThNciPnjRi-VGFfNIGr5qyqBl_yZ6hcPvJ4HOkuJa3cJ6v5W_Vl&sig=AHIEtbTMlHOyNxjNHZZFSg84fNQIKcYaig


Quem aprovou essa sandice foi a relatora do processo lá no Ministério do Racismo, a Sra. Nilma Lino Gomes, uma verdadeira doutora. Em Ciências Sociais, notem bem. Pós-doutora em Sociologia. Ela escreveu algumas obras acadêmicas, tais como “Corpo e cabelo como ícones de construção da beleza e da identidade negra nos salões étnicos de Belo Horizonte”, com o qual se doutorou. “A trajetória escolar de professoras negras e a sua incidência na construção da identidade racial – um estudo de caso em uma escola municipal de Belo Horizonte”, sua dissertação de mestrado. “Supervisão escolar – esboço de sua trajetória em Minas Gerais – do período imperial aos dias atuais” seu trabalho de conclusão de curso de pedagogia em 1988.


Além de conselheira no Ministério do Racismo, ela também é pesquisadora do CNPQ desde 2007. Participou de alguns projetos como: “Educação,Diversidade Étnico-Racial e Movimento Negro: articulações entre conhecimentos e práticas sociais”. Foi Membro da Comissão de Estudo e Acompanhamento de Medidas de Inclusão Social no Corpo Discente da UFMG (CAIS), Diretora Financeira e Pesquisadora do Centro de Estudos Sociais da América Latina – CESAL, Coordenadora da Coleção Cultura Negra e Identidades – Autêntica Editora – Belo Horizonte, Coordenadora-Geral do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Ações Afirmativas na UFMG.. Já foi professora de Antropologia e Educação; Escola e Diversidade: interfaces políticas e sociais; Estágio Curricular em Gestão Educacional e Coordenação Pedagógica I e II; Estágio Supervisionado em Supervisão Escolar I e II; Estrutura e Funcionamento do Ensino; Gestão da Escola e Coordenação Pedagógica II; Princípios e Métodos de Supervisão Escolar. Fez pesquisas teóricas sobre “Saberes emancipatórios, movimento negro e diversidade étnico-racial”, “Educação de Jovens e Adultos – Pesquisa e Formação, Práticas Pedagógicas de Trabalho com relações étnico-raciais na escola na perspectiva da Lei 10.639/03”, “Escolas Públicas Abertas à Diversidade Étnico-Racial: do empenho pessoal ao coletivo de educadores(as) – 4a fase, Movimento negro, saberes e educação para a diversidade”, “Educação,Diversidade Étnico-Racial e Movimento Negro: articulações entre conhecimentos e práticas sociais”. Escreveu uma miríade de artigos, todos sobre ações afirmativas e quejandos.


Pois bem. Leiam com cuidado todo o escrito acima. Notaram algo suspeito?


Pois é. Mas antes, vejamos a justificativa do denunciante:
“Os professores, no dia a dia, não têm o preparo teórico para trabalhar com esse tipo de livro. Então, não é que ele deva ser proibido. O que não é recomendado é a sua utilização dentro de escola pública ou privada”
Vejam só o que ele diz: os professores não têm o preparo teórico para trabalhar com este tipo de livro. Este pensamento encerra dois problemas. O primeiro é que…bem, lembram dos trabalhos e pesquisas do denunciante e da relatora do processo? Então. Nenhum deles sabe um nada sobre literatura ou formação de personalidades juvenis, não sabem nada de psicologia ou psiquiatria e não têm a menor idéia de como se faz uma análise literária para dizer se tal ou qual obra tem realmente alguma conotação racista. Um dos trechos com que o denunciante Antonio encasquetou foi o seguinte: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”. Minha nossa, o que há de preconceito nisto? É como dizer que Fulano correu mais que uma galinha fugindo da panela. Outro trecho que ele achou problemático: “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens” Essa é uma comparação com todos os seres humanos e afeta a boa imagem dos macacos, ora bolas. Ou seja, no final quem está dizendo que os negros são diferentes dos outros homens são eles, porque Monteiro Lobato só disse que macacos e homens são parecidos, o que, convenhamos, deveria ensejar uma reclamação formal por parte dos macacos. Isto basta para mostrar que eles não estão preparados para avaliar uma obra literária e seu impacto na mente juvenil, a respeito da qual jamais fizeram um só trabalho. O que diabos tem a ver candomblé com formação de personalidade?


O segundo problema é que eles dizem que os leitores juvenis não estão preparados para discernir o certo do errado, o que é racismo do que não é racismo, o que é um estereótipo do que é uma descrição fiel à realidade, de modo que poderiam achar que o certo é manter as tias negras como empregadas domésticas pelo resto da vida. Como algum ser humano de inteligência mediana chegaria a uma conclusão absurda dessas é coisa que eles não explicam em lugar algum. O mesmo tipo de argumento foi usado nos anos de chumbo para proibir a publicação de um sem número de obras. É sempre a mesma coisa: o censor acredita que o leitor não tem condições de separar o joio do trigo, então ele taca fogo nos dois para não correr riscos.


A proibição ou o selo na obra ainda não estão colocados em prática. Quem decidirá se isto vai ou não adiante é o Ministério da Educação, mas sabe-se que o atual ministro, Fernando Haddad, bem, ele é da turma dos politicamente corretos, digamos assim. Por exemplo, é favor da liberação da maconha (ainda mais…).


O caso é que não há nada de racista na obra de Monteiro Lobato. O Ministério do Racismo quer é impor aos jovens nas escolas a leitura apenas de obras que façam menção a políticas afirmativas e que sejam politicamente corretas, ou seja, que façam panfletagem em prol da igualdade artificialmente construída e, mais ao fundo, da gastança do dinheiro dos impostos nas tais políticas compensatórias, sem falar nas mirabolâncias como cotas racistas e coisas do tipo. O caso é puramente político, ideológico, não é literário e nem mesmo pedagógico, pois nenhum deles apresentou uma só evidência empírica de que a mente dos jovens é tão maleável quanto eles supõem que seja. Talvez por experiência própria.


Essa história de proibir uma obra por medo do que pode ser que o leitor venha a entender é ou uma tremenda ignorância, já que isto de interpretação é cheio de variáveis e possibilidades, ou é desculpa esfarrapada para impor ou manter uma ideologia.

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LEIA ABAIXO

Sobre o IBOPE ter cobrado R$ 1 milhão de Senador para alterar resultado das pesquisas:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/29/senadores-acusam-ibope-de-fraude/

Sobre outro erro absurdo do Datafolha:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/29/datafolha-850-mil-morrem-por-dia-no-brasil/

Sobre o lobista que diz que Dilma o ajudou no caso dos correios:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/29/lobista-diz-que-dilma-o-ajudou-no-caso-dos-correios/

Sobre declaração dada por Dilma Roussef em 28/10/2010 se colocando contra a prisão de quem pratica o aborto:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/em-28102010-dilma-declarou-publicamente-ser-contra-a-prisao-de-quem-pratica-o-aborto/

Sobre o PNDH-3, entrevista com Ives Gandra:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/o-pndh-3-explicado-por-ives-gandra/

Sobre a orientação espiritual do Papa bento XVI para fiéis não votarem em candidatos que apóiam a eutanásia, aborto e suicídio assistido:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/qual-catolico-deixara-de-votar-em-dilma/

Sobre manchetes que mostram quem realmente ganha com este governo:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/manchetes-do-dia-sobre-o-governo-dos-pobres/

Sobre o presidente da CNT/Sensus fazer campanha descarada para o PT:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/presidente-da-cntsensus-faz-campanha-para-dilma/

Sobre o lucro formidável dos bancos, do gasto de R$ 191 milhões na campanha do PT e este se dizer o governo dos pobres:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/e-possivel-servir-a-dois-senhores/

Sobre o regime pelo qual Dilma Roussef e Franklin Martins orgulhosamente pegaram em armas:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/pelo-que-dilma-roussef-e-franklin-martins-pegaram-em-armas/

Sobre o cancelamento da entrevista com Serra pelo SBT e um negócio de R$ 7 bilhões de Sílvio Santos com o governo federal:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/26/sbt-cancela-entrevista-com-serra-silvio-tem-7-bilhoes-de-motivos-para-fazer-isto/

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SENILIDADE PRECOCE

14 outubro, 2010


Em relação aos idosos, os jovens ganham mal, prestam pouca atenção, têm menos tempo para gastar, portanto, são consumidores piores, mas mesmo assim o mercado ignora solenemente a velharada, especialmente a mídia. Das duas, uma, ou os dirigentes de tv´s, rádios e agências de publicidade são estúpidos ou estão entupidos de alguma ideologia besta que prega que a velhice merece o desprezo.


É só pensar um tiquinho. Déficit da previdência. Por que existe um? Grosso modo, porque o montante de contribuições atuais e futuras não faz frente ao montante de benefícios atuais e futuros. Em outros termos: porque há mais gente ficando velha do que gente entrando no mercado de trabalho contributivo. Se há tantos velhos assim, por que tão pouco se mira neles?


Jovens, em sua maioria, perdem tempo demais com escola, esportes, sexo e vadiagem. Na real, assistem muito menos TV do que os mais velhos. Eles vêem televisão, ouvem rádio e vão ao cinema com seus celulares e ipod´s ligados, fazem várias coisas ao mesmo tempo. Talvez isto explique a diminuição progressiva da profundidade dos roteiros: facilita a vida de quem está disperso. Já os velhos prestam atenção, de modo que são um publico mais qualificado para qualquer programa, inclusive comerciais.


Esqueça a imagem do velhinho na praça, ganhando salário mínimo de aposentadoria. Isso é bobagem. Eles ganham tão bem ou mais que os jovens que entram agora ano mercado de trabalho. A quantidade de solteirões na casa dos 50 e 60 é provavelmente superior à de jovens mal remunerados realmente solteiros e sem compromissos com esposas, namoradas e filhos, dentro ou fora do casamento. Sem falar que não precisam pagar ônibus na maioria das grandes cidades, nem faculdade ou cursinho. Para cada entrave a se ver um velho como grande consumidor há um ou mais em desfavor do jovem de mesma renda.


Pior, o número de velhos só cresce, mas o de jovens não acompanha. O futuro, quer gostemos ou não, é dos velhos. Pode até ser maluquice que o Brasil só tenha um presidente com menos de 50 na sua história, mas loucura mesmo é o mercado não se tocar do absurdo potencial que os velhos representam.


Há programas infantis, adolescentes e adultos, mas não há um só programa realmente voltado para os velhos. As novelas, eventualmente, tangencialmente tentam mostrar que a vida não acaba com a velhice. Arrematada bobagem, todos sabem que a velhice é para sempre. O que sucede é que a velhice vem se tornando a mais longa das fases da vida, cada vez mais. Mas que filme foi produzido mirando especificamente o público velho? Novela? Programa de rádio?


Não é que os velhos não sejam uma parcela razoável do mercado. São, claro que são, os números estão aí para quem deles quiser tomar conhecimento. O caso mesmo é outro. Os profissionais da mídia enfiaram na cabeça que a velhice é feia. Pode ser, em comparação ao físico dos jovens. Mas, francamente, a maioria dos adolescentes nada tem a ver com Megan Fox, são seres esquisitos, desengonçados, atrapalhados, com vozes ridículas e um temperamento insuportável.


Sim, sexo vende. Inclusive para os velhos. Ok, talvez não venda tanto para as velhas, mas os velhinhos ainda se deixam seduzir por uns rabos de saia ou, preferencialmente, uns rabos sem saia. Então, tudo certo usar os jovens na publicidade, o que é difícil entender é não usar publicidade para os velhos.


É certo: a morte sempre é um mal negócio e velhos lembram a morte. Sem dúvida. Mas, do mesmo modo que há programas estritamente infantis, por que não há programas estritamente voltados aos mais velhos em horários próprios? Crianças podem convencer os pais a gastarem nisso ou naquilo, mas os velhos não precisam enfrentar esse obstáculo, gastam diretamente.


Ademais, o jovem de hoje é o velho de amanhã. Se há décadas o número de jovens solteiros vem crescendo e ainda mais o número de casais com um ou nenhum filho, é razoável supor que boa parte das pessoas com mais de 50 já não tenham grandes laços ou responsabilidades familiares e, portanto, tenham mais verba livre para gastar.


Esse desprezo teria a ver com o singelo fato de que velhos possuem um senso crítico maior? Jovens, via de regra, decidem de impulso, velhos não o fazem costumeiramente. Pode ser, mas por outro lado, velhos gastam de modo mais qualificado, compram coisas mais caras do que os jovens.


Lentamente, muito lentamente, o público consumidor vem forçando a mídia a dar atenção aos velhos, mas ainda é pouco em termos proporcionais. Seus profissionais ainda não estão preparados para abrir mão da sua ideologia de que a juventude é o futuro. Não é, acordem, o futuro é velho, não jovem. Essa bobagem vem de longa data e, num passado remoto, ganhou força e ares de dogma nos anos 1960. Essa porcaria intelectualmente pueril ainda ressoa nas redações e centros de criação, mas ela, cada vez mais, não tem grande amparo nos fatos. Enfim, em termos puramente mercadológicos, numéricos, o desprezo da mídia para com os mais velhos é insustentável. Só sobra a ideologia velha de guerra. Bem mais velha que seus atuais perpetradores, que talvez nem disso saibam. Objetivamente, o apoio à hegemonia juvenil é uma burrice ímpar.


Barack Bush

25 agosto, 2009

Preste atenção na frase dita pelo Presidente Phebo:

“Essa guerra é fundamental para a defesa do nosso povo. Aqueles que atacaram os Estados Unidos em setembro de 2001 estão planejando fazer a mesma coisa de novo. Se não fizermos nada, a insurgência do Talibã se transformará em um refúgio ainda maior, a partir do qual a Al Qaeda poderia se preparar para matar mais americanos.”

Pois é. Viesse do Bush, seria normal e o New York Times já teria descido a lenha, rapidamente seguido por 99% da imprensa mundial. Por ora, só silêncio.

Uns e outros podem achar que finalmente a realidade vai se sobrepondo à ideologia do primeiro presidente estrangeiro dos EUA. Nada disso, Obama é presidente, não dono do governo, lembremos que falamos dos EUA, não do Brasil. Há muitos e muitos funcionários inteligentes trabalhando por lá e pode ter certeza que esse discurso tem origem neles.

Bem, ele disse isso no Arizona, um estado mais conservador. Talvez estivesse só jogando com a platéia. Mas talvez tenha preferido dizer isso ali do que em frente a um público novaiorquino ou hollywoodiano.

Mas ainda há perigo, sempre há. Vai saber o que se passa pela cabeça de Mister Phebo quando fala “se não fizermos nada”. É até provável que ele ache que a saída é abrir uma linha de crédito para o Talibã construir escolas e creches para suas crianças. Coisa bonita, seria um belo gesto para agradar seus seguidores e um danado golpe midiático. Aí os caras pegam a grana e compram ogivas nucleares da máfia russa para estourarem nos EUA…

Sobre Afeganistão e EUA, convém assistir a Jogos do Poder, com Tom Hanks, Julia Roberts e Philipp Seymour Hoffman. Mostra a arquitetura inicial da ajuda americana aos afegãos na década de 80, na guerra contra os russos. Algo ficou no meio do caminho e deu no que deu.