PRESEPADAS EM ASUNCIÓN – DIA 2

Ver o Paraguai como uma grande Ciudad del Est é como ver o Brasil como um grande morro carioca. Esta generalização estúpida, aliás, é um dos muitos problemas em comum a ambos.

De igual modo, o paraguaio em geral não é o índio pilantra encontrado com facilidade em Ciudad del Est. As pessoas são basicamente boas, honestas e acolhedoras. Fomos bem recebidos por todos e no comércio em geral as pessoas se esforçaram para entender nosso portunhol sofrível. Para não deixar dúvidas, basta ver a foto da casa que o médico paraguaio nos ofereceu para ficarmos. De graça. Não houve quem nos tratasse mal em momento algum nas andanças pela cidade. Exceto no único ponto que lembra a fronteira com o Brasil.

No Mercado 4 (para os de “Asú”, apenas Mercado) se tem uma pequena réplica da famosa algazarra muambeira. Na área de um quarteirão se amontoam de modo matematicamente improvável uma enorme quantidade e variedade de barracas, lojas, pessoas, animais e insetos. Foi o único lugar em que alguns comerciantes não fizeram mínimo esforço em praticar o portunhol, às vezes sequer levantam os olhos para atender. Quem mais precisa de você é quem menos se esforça para cativá-lo. Por certo que não é um privilégio paraguaio.

O resto de Asunción passa ao largo disto. Para tirar de vez esta imagem da cabeça, basta ir à esquina da rua Peru com Marescal Estirrigabia e ver uma locadora de DVD`s.

Fora da vida noturna também se avistam algumas chicas hermosas nos pontos mais populosos. Está longe de ser o paraíso na Terra, mas não deve nada à maioria das cidades brasileiras.

A cidade tem alguns shopping centers iguais a milhões de shoppings em milhões de cidades mundo afora. Para quem não vive sem, aí está. O maior atrativo deles em Asunción é o ar condicionado. Os preços dos produtos são caros, mas come-se pelo mesmo preço de qualquer fast shit no Brasil.

Na avenida Marescal Lopes se avistam algumas mansões e prédios imponentes, entre eles a moderna embaixada brasileira ocupando um quarteirão inteiro, a residência do embaixador mais à frente, o Tribunal Permanente do Mercosul e a enorme embaixada americana. Frente a esta, quando nos dava uma carona, nosso anfitrião fez troça com os ianques. “É aí que a CIA fica?”, perguntei. “Não, a CIA fica em outro prédio no centro”. “ Abertamente?” “Não, eles fingem que são de outros órgãos”. A interferência americana no Paraguai pode começar a ser avaliada pelo nome de uma rua em região nobre da cidade: General Douglas Mac Arthur. Sim, aquele do macarthismo e tudo o mais.

A noite de Asunción não tem dia. Sempre há o que fazer não em um, mas em vários pontos da cidade. Antes de embarcarmos, fomos ao Britannia Pub, instalado em um velho prédio. À exceção do belo luminoso, a entrada não é nada convidativa, mas lá dentro a decoração e a presença de chicas de alta estirpe afastam qualquer má impressão. Lugar enorme, com várias salas e quartos transformados em ambientes interligados por portas e vãos. Há dois pavimentos e um espaço ao ar livre, tudo dentro do prédio.

Ali comemos uma picada (porção) variada de carne, frango e linguiça ao vinho, que leva o nome do bar ao preço de 65 mil guaranis, o que dá uns R$ 37,50, mais que suficiente para os cinco presentes. Demorou quase uma hora para ser servida, mas isto não foi problema porque nos divertíamos com nosso amigo médico, uma amiga dele e um recém chegado francês com cara de iraniano que, segundo ele, sempre era confundido com brasileiro. A boa Pilsen saía por 11 mil guaranis, uns R$ 5,50 por cerveja de qualidade, não estupidamente gelada porque algo realmente gelado no Paraguai é raridade, mas o gosto da cerveja era bom o suficiente para não ser afetado por isto. Isto me fez imaginar que talvez brasileiros adorem cerveja gelada em razão do seu pouco sabor e qualidade, pois abaixo de certa temperatura o paladar é afetado. Algo similar à nossa adaptação da massa de pizza, que é mais fina que a italiana porque no começo a original ficava crua por não dispormos à época de fornos bons para assá-la corretamente.

Chegada a hora, saímos para a rodoviária, onde nos despedimos de nosso amigo médico com a consciência um pouco pesada por não termos deixado um presente melhor a nosso anfitrião, à exceção de uma garrafa de Fernet, uma bebida amarga que eles misturam com gelo e coca. Como a receita é similar à da Cuba Libre, mas o resultado é muito e muito melhor, apelidei o drink de “Fora Castros”.

Saímos de Asunción com uma boa imagem do Paraguay, a qual seria um pouco arranhada no nosso próximo destino, Encarnación, 5 horas mais tarde. De todo modo, o aprendizado foi vasto e este país ganhou pontos conosco.

Uma resposta para PRESEPADAS EM ASUNCIÓN – DIA 2

  1. Helena disse:

    Legal John John, tô gostando dos seus diários sem motocicleta

    beijo,
    merrel

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: