EM 28/10/2010 DILMA DECLAROU PUBLICAMENTE SER CONTRA A PRISÃO DE QUEM PRATICA O ABORTO

28 outubro, 2010


Acabou a lenga lenga. Dilma Vana Roussef acaba de declarar que não é a favor da criminalização do aborto. O que, na prática, a coloca como favorável à descriminalização. Foi ela quem disse, ninguém colocou palavras na boca dela. Foi hoje. Hoje, não no passado. Não foi em entrevista escrita, foi gravada e ela sabia que era gravado e que seria transmitido para todo o Brasil. De modo que não resta dúvida: Dilma é a favor da descriminalização do aborto. Na mesma entrevista ela disse que o Papa tem todo direito de expressar sua opinião, colocando assim seus militontos numa posição estranha, já que o dia todo só faltaram chamar o mesmo de santo. Somando tudo, ficou assim: o Papa emitiu uma orientação moral e espiritual para que católicos brasileiros não votem em candidatos que apóiam o aborto. A Posição de Dilma é bem clara, segundo suas próprias palavras. Segue a orientação do Papa quem achar que deve. Abaixo o vídeo com as palavras dela.

http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=7130336

Aí está. Ela diz claramente: prisão não dá. Ela não quer prender quem pratica o aborto. Pronto. Simples assim. Ela é a favor da descriminalização do aborto.

Os petistas estão se roendo pelo fato de questões morais terem surgido na campanha. Acharam que o debate seria só em torno dos temas que eles colocaram na mesa. Mas o eleitorado não quis embarcar nessa e o tucano Serra soube aproveita-la. Prevendo o tamanho da encrenca, o pessoal da campanha arrumou uma militante do PSOL, que declarou votar em Dilma no segundo turno, para declarar que ouviu Mônica Serra dizer que fez um aborto. A jornalista Mônica Bergamo, habituada a lidar a cobrir eventos de celebridades, as quais adoram uma fofoca, achou que aquilo era suficiente, considerou que o fato de uma pessoa dizer que outra disse que fez certa coisa é o suficiente para uma matéria. Publicou. No final, ninguém botou muita fé no negócio.

Mas aí vieram com uma de Serra apoiou o aborto quando era Ministro da Saúde. Pegaram uma diretriz técnica do tempo dele na pasta e tentaram usar contra o mesmo. essa normativa técnica não fala nada sobre quando se deve fazer aborto, só fala qual deve ser o procedimento técnico na hipótese de o médico, por qualquer motivo, tiver de levar adiante um procedimento desse tipo. Por exemplo, uma ordem judicial ou um caso legalmente admitido de a vida da mãe estar em risco inegável. Como pular disto a um apoio claro ao aborto era muita forçação de barra, morreu na praia também.

É bem verdade que há setores e eleitores do PSDB que são favoráveis ao aborto. Mas José Serra mesmo não se pronunciou abertamente em favor disto no passado.

Ainda que tivesse Serra apoiado abertamente o aborto, nem por isto a posição de Dilma seria mais defensável. Se um católico, nos conformes da sua espiritualidade, achar que não deve votar em quem apóia o aborto e se convencer de que ambos os candidatos são pró-aborto, nesse caso ou ele não voto ou vota nulo ou branco. Os militontos agora não têm mais como negar que sua candidata é contra prender quem pratica o aborto. Se isso é ou não motivo para se votar ou deixar de votar em alguém, é problema de cada eleitor.

A irritação da esquerdalha com o episódio do aborto é que traz para o debate eleitoral algo que eles julgam impertinente: questões morais. Ora, as pessoas se regem pela moral, é a base da convivência social, mas para a esquerda, o negócio é que as condutas humanas não podem ser senão permitidas ou compelidas por regras objetivas editadas pelo Estado e, por isto mesmo, garantidas pelas armas. Fazer algo apenas porque é o certo a se fazer, é impensável. A conduta deve ser permitida ou obrigatória se e tão somente se os professores de felicidade e engenheiros sociais chegarem a um consenso e aí os políticos encamparem a idéia e formularem leis, sempre garantidas pelas armas. Certo, errado, justo, injusto, são conceitos que a esquerda quer extirpar da civilização, por isto não admite sequer isso seja discutido numa eleição para ver quem comandará o Estado.

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LEIA ABAIXO

Sobre o PNDH-3, entrevista com Ives Gandra:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/o-pndh-3-explicado-por-ives-gandra/

Sobre a orientação espiritual do Papa bento XVI para fiéis não votarem em candidatos que apóiam a eutanásia, aborto e suicídio assistido:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/qual-catolico-deixara-de-votar-em-dilma/

Sobre o MP carioca enquadrar vários políticos do PT e PMDB por abuso do poder econômico:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/mp-carioca-tenta-enquadrar-petistas-por-abuso-do-poder-economico/

Sobre manchetes que mostram quem realmente ganha com este governo:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/manchetes-do-dia-sobre-o-governo-dos-pobres/

Sobre o presidente da CNT/Sensus fazer campanha descarada para o PT:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/presidente-da-cntsensus-faz-campanha-para-dilma/

Sobre o perigo de se eleger Dilma crendo que ela será Lula lá outra vez e sobre lições de história que nada valem para militontos e petistas de ocasião:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/lula-periga-ser-o-novo-kirchner-e-dilma-o-novo-pitta/

Sobre o lucro formidável dos bancos, do gasto de R$ 191 milhões na campanha do PT e este se dizer o governo dos pobres:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/e-possivel-servir-a-dois-senhores/

Sobre o PT ter usado indevidamente o nome de outro artista no tal manifesto dos intelectuais:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/outra-manifestacao-contra-o-manifesto/

Sobre o regime pelo qual Dilma Roussef e Franklin Martins orgulhosamente pegaram em armas:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/pelo-que-dilma-roussef-e-franklin-martins-pegaram-em-armas/

Sobre o cancelamento da entrevista com Serra pelo SBT e um negócio de R$ 7 bilhões de Sílvio Santos com o governo federal:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/26/sbt-cancela-entrevista-com-serra-silvio-tem-7-bilhoes-de-motivos-para-fazer-isto/


QUAL CATÓLICO DEIXARÁ DE VOTAR EM DILMA?

28 outubro, 2010


O Papa Bento XVI não tem nenhuma autoridade legal sobre nenhum brasileiro. Zero. Nada. Necas. Picirica nenhuma. Ele fez um sermão ontem e disse que, quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação o exigirem, os padres devem fazer um juízo moral mesmo em questões políticas. Trocando em miúdos, ele quis dizer que se nego apóia a eutanásia, o suicídio assistido ou o aborto, então os padres devem emitir seu juízo de valor a respeito da posição desse camarada quanto a esses temas, ainda que ele seja candidato. A petralhada ficou raivosa e pela internet o menos ofensivo dos comentários fala em Papa nazista. O Papa não disse nomes, nem citou partidos, candidatos ou ideologias, os petistas vestiram a carapuça por vontade própria. Não dá para entender porque, afinal, a candidata Dilma jura de pés juntos que ela não apóia o aborto, desmentindo a si mesma e a diversos documentos internos do PT, além do PNDH-3. O que pega é que os petistas, os militontos, eles não entendem o que seja uma igreja, qualquer igreja, e acreditam que todas as associações humanas são como a sua, acham eles que sempre que algum chefe ou líder de uma associação qualquer faz uma sugestão ou recomendação está dando ordens, porque, afinal, eles não estão acostumados a pensar sobre as sugestões que recebem do Partidão, eles a seguem cegamente. Para os petistas, uma orientação moral é algo incompreensível, eles entendem que seja algo similar às ordens camufladas que recebem do comando do Partido.

Uma igreja, qualquer igreja, é, num certo sentido, uma simples associação de pessoas com um interesse comum. Existem associações de colecionadores de chuteiras de jogadores de futebol. Associações de fãs do Restart. Associações de adoradores de vibradores. Associações de bairro. Associações de criminosos. Associações de todo tipo, por todo lado. O que junta todas essas pessoas é um interesse comum qualquer. No caso da igreja, qualquer igreja, o interesse em seguir um caminho espiritual qualquer. Outros interesses podem estar presentes, cada um sabe o que se passa na sua cabeça, mas o objetivo geral de qualquer igreja é apenas espiritual, é isso que elas oferecem realmente, o resto é acessório.

Pra começo de conversa, petista não tem nem idéia do que seja algo espiritual. Foram doutrinados a acreditar que isto tenha algo a ver com contos de fadas. Essa asneira dispensa comentários. Mas como eles não entendem nada disso, acabam não entendendo o que seja um sermão ou uma pregação. Não têm a menor idéia. Por algum estranho motivo, não fundamentado nos fatos, eles acreditam que uma pregação seja uma série de ordens de fato ou uma coleção de palavras de ordens que os fiéis de uma igreja acatam cegamente. Como não é nada disto, tem um monte de católicos transando antes do casamento, fora do casamento, sem ou com camisinha, muito embora a ICAR recomende expressamente que só se faça sexo depois do casamento e sem camisinha. Os militontos provavelmente fariam exatamente isso se estivesse escrito em algum panfleto ou jornalzinho do PT.

No caso da ICAR, o dever de um padre é guiar os fiéis no caminho espiritual, rumo à salvação e rumo a uma vida cada vez mais de acordo com os preceitos divinos. Só isso. Não há nenhuma hierarquia entre padres e fiéis na vida cotidiana. Todo respeito e eventual medo é meramente reverencial, não legal e nem mesmo contratual, como pode acontecer em alguns tipos de associações. Nada disto, as pessoas aceitam ou não as recomendações da igreja em razão do quanto isto as toca intima e espiritualmente. Subjetividade, é este o grande lance. Mas petistas não entendem isso, eles acham que as condutas humanas só podem ser guiadas por leis emanadas do Estado e, por definição, garantidas pelas armas. Eles não conseguem entender como alguém pode fazer alguma coisa em razão de uma decisão puramente subjetiva, categoria na qual se incluem também as decisões racionais, afinal não se sabe de nenhum ser humano que consiga pensar pelo lado de fora.

O curioso é que o PT está na frente nas pesquisas. Vai ver nem eles acreditam mais nessas mirabolâncias mal ajambradas dos institutos de pesquisas. A raiva deles pode ser medo de perder a eleição, fundamentado na sua ignorância do que seja uma recomendação papal ou clerical, ou apenas raiva mesmo. Raiva contra uma agremiação que não os apóia totalmente, de uma organização que não pretende instaurar uma revolução, antes privilegia os aspectos não materiais da vida em seus discursos. Eles têm raiva da igreja pelo mais primitivo dos motivos para se ter raiva de algo: incompreensão. Eles não sabem o que a igreja é, não entendem o que seja ter fé, não compreendem o que seja a espiritualidade. Eles têm raiva porque não conseguem aceitar que as pessoas podem viver de um modo diferente da militância, viver fora da batalha eterna pela revolução contínua e inesgotável e suas promessas cada vez mais fantásticas, cada vez menos cumpridas e cada vez mais sacrificantes: quase 40% do suor do rosto dos brasileiros vai para o Estado. E o líder máximo das hostes petistas diz que é preciso ainda mais. Ou seja, mais sacrifício.

O curioso é que eles gritam contra o Papa, mas veneram um frei, o Betto. Estão lado a lado com o líder religioso Edir Macedo, que já foi criminalmente condenado por estelionato e charlatanismo e que vive falando em Deus e que as pessoas precisam seguir Deus. É que esses aí falam bem do PT também, esses eles não também não entendem, mas como existe uma convergência de interesses, bem, sabe como é, a guerra exige estranhas alianças. Como a dos esquerdistas europeus com o islamismo.

A rigor, o Papa só fez lembrar os padres católicos de que devem seguir os dogmas católicos, nada mais. Ora, isto não obriga ninguém a fazer o que um padre diz. E o que o papa pediu que os padres digam? Só que digam se um dado cidadão, ainda que seja candidato, tem sua posição a respeito de certos temas em conformidade ou não com os dogmas católicos. É só para os padres lembrarem: olhem, candidato que apóia o aborto não age de acordo com as leis de Deus. Só isso e nada mais do que isso. Porque tanta raiva? Justamente porque eles não entendem. Trata-se de uma orientação moral e espiritual, mas esses são conceitos incompreensíveis para os militontos.

E para que não reste dúvida alguma do que foi dito ou não dito pelo Papa, segue na íntegra o inteiro teor do seu sermão. Notem que não há menção alguma a candidato algum. Os petistas vestiram a carapuça porque nem eles acreditam que Dilma seja contra o aborto.

“Amados Irmãos no Episcopado,

Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à. união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo” (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sociopolítico de um modo unitário e coerente, é “necessária – como vos disse em Aparecida – uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”” (Discurso inaugurai da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. “Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambiguidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana” (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve “encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política” (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Bênção Apostólica.” (fim do sermão do Papa)

E aí está, simples, claro, reto, direto, um jeito de falar com o qual os militontos também não estão lá muito acostumados. E qual será o católico que deixará de votar em Dilma? A PTizada não sabe dizer. Será aquele que, lendo ou ouvindo atentamente este sermão, refletir, rezar pedindo sabedoria a Deus e intimamente sentir que assim deve fazer. Só este, os outros não.

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LEIA ABAIXO

Sobre o MP carioca enquadrar vários políticos do PT e PMDB por abuso do poder econômico:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/mp-carioca-tenta-enquadrar-petistas-por-abuso-do-poder-economico/

Sobre manchetes que mostram quem realmente ganha com este governo:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/manchetes-do-dia-sobre-o-governo-dos-pobres/

Sobre o presidente da CNT/Sensus fazer campanha descarada para o PT:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/28/presidente-da-cntsensus-faz-campanha-para-dilma/

Sobre o perigo de se eleger Dilma crendo que ela será Lula lá outra vez e sobre lições de história que nada valem para militontos e petistas de ocasião:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/lula-periga-ser-o-novo-kirchner-e-dilma-o-novo-pitta/

Sobre o lucro formidável dos bancos, do gasto de R$ 191 milhões na campanha do PT e este se dizer o governo dos pobres:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/e-possivel-servir-a-dois-senhores/

Sobre o PT ter usado indevidamente o nome de outro artista no tal manifesto dos intelectuais:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/outra-manifestacao-contra-o-manifesto/

Sobre o regime pelo qual Dilma Roussef e Franklin Martins orgulhosamente pegaram em armas:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/27/pelo-que-dilma-roussef-e-franklin-martins-pegaram-em-armas/

Sobre o cancelamento da entrevista com Serra pelo SBT e um negócio de R$ 7 bilhões de Sílvio Santos com o governo federal:

https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/26/sbt-cancela-entrevista-com-serra-silvio-tem-7-bilhoes-de-motivos-para-fazer-isto/


DAS FUNDAÇÕES E DO BILHÃO DOURADO

13 outubro, 2010

O texto abaixo foi retirado do blog A Pedra, do pastor Anselmo Melo. Trata-se de uma entrevista com outro pastor, apontando dados sobre a dinheirama que as fundações biliardárias despejam nas ONG´s pró-aborto. Destaque da entrevista: “o anti-natalismo faz parte de uma estratégia de controle social pelos poderosos do mundo, que visam manter os altos padrões de vida concentrados nas mãos de uns poucos bilionários”.

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O que realmente esta por trás da discussão sobre a legalização do aborto e os motivos que estão levando poderosos como o bispo Macedo da IURD também a defendê-lo: U$!
O professor Hermes Rodrigues Nery, é Secretário Geral da Executiva Nacional do Movimento Brasil Sem Aborto; onde coordena a Comissão em “Defesa da Vida” e o “Movimento Legislação e Vida”. Na entrevista abaixo, ele afirma e aponta os interesses econômicos e políticos dos que querem a legalização do aborto no Brasil.

1) Como o senhor está vendo o debate sobre a legalização do aborto no Brasil?

Hermes: Numa sociedade democrática pluralista como a nossa, o debate é sempre bem-vindo. Saímos enriquecidos com o debate, na medida em que conhecemos melhor a situação, onde podemos nos posicionar a partir de premissas e critérios que levem em conta o real interesse público e o bem de cada pessoa humana. Nesse sentido, em relação à discussão sobre o aborto, penso que a questão decisiva, é saber a quem interessa o aborto, quem financia, quem lucra com a sua legalização e principalmente, quais são os interesses que estão por trás, impondo essa agenda de discussão no atual momento.

2) O Ministro José Gomes Temporão, afirma que o aborto é uma questão de saúde pública, pois as mulheres pobres não têm como recorrer ao aborto seguro, sendo vítimas assim das condições precárias em decorrência da clandestinidade. E então, o que fazer?

Hermes: Esse argumento utilizado para defender a legalização é reducionista, eivado de retórica. A legalização do aborto é uma falsa solução para os problemas de saúde pública, pois não irá solucionar as altas filas nos hospitais; a carência de leitos e medicamentos; a dificuldade da população pobre em marcar consultas; etc… A solução para a gravidez indesejada, proposta pelo Ministro da Saúde, não representa nenhum benefício para a mulher, pelo contrário, os especialistas honestos, sabem que o aborto acarreta sérias conseqüências negativas (físicas e psicológicas), como por exemplo, a síndrome pós-aborto, gerando mulheres deprimidas, inclusive com tendências ao suicídio. Sendo assim, o aborto ao invés de resolver um problema, cria outros mais graves. Por isso, a solução adequada passa pela educação.

Se hoje não temos vagas nos hospitais, para o atendimento de cirurgias de emergências; pacientes vítimas da violência urbana ou problemas cardíacos, será mesmo possível atender de forma adequada as mulheres que querem abortar com segurança? Em caso de legalização, as mulheres que recorrerão ao aborto continuarão sendo as que têm poder aquisitivo, principalmente as de classe média. As mulheres pobres continuarão sem acesso aos atendimentos básicos de saúde e vítimas da precariedade do sistema de saúde, que não dá conta das demandas existentes. Na realidade, os que querem legalizar o aborto tem outros interesses, nada humanitários. O discurso sentimentalista é demagógico e perverso, porque oculta outras intenções.

3) Então, que interesses estão em jogo?

Hermes: Interesses especialmente por razões econômicas, políticas e demográficas. É evidente que o anti-natalismo faz parte de uma estratégia de controle social pelos poderosos do mundo, que visam manter os altos padrões de vida concentrados nas mãos de uns poucos bilionários, marginalizando a maioria em condições degradantes de vida, sob todos os aspectos. A pressão para a legalização do aborto faz parte dessa estratégia e existe por causa de ações com origem fora do Brasil, que visam lucrar com a prática do aborto, seja com a venda de tecidos fetais humanos para pesquisadores de empresas biotecnológicas, que desde 2005 (com a aprovação da Lei de Biossegurança), têm grande interesse no mercado de embriões humanos; ou ainda beneficiando os que estão patenteando genes humanos com objetivos inclusive eugênicos. Os titulares das patentes mantém exclusividade na exploração comercial, e a legislação existente nesta área ainda é muito frágil, o que favorece a formação dos monopólios estrangeiros. Na área genética, a participação dos titulares brasileiros nos depósitos totais realizados em nosso País no período de 1998 a 2000 foi inferior a 3%. Ganham, portanto, os de fora. Por isso, as Fundações investem tanto e lucram enormemente.

4) O senhor poderia detalhar melhor que tipos de investimentos são feitos por estas corporações interessadas na legalização do aborto?

Hermes: Diversos são os interesses, como bem apontou o Prof. Humberto Vieira, da Pontifícia Academia para a Vida, seguramente a maior liderança católica em defesa da vida no Brasil. Primeiramente, como já dissemos, os interessados em transplantes de tecidos vivos defendem a legalização do aborto para experiências científicas com seres humanos vivos. Na Inglaterra, por exemplo, já se aprovou uma lei permitindo experiências com seres humanos até o décimo quarto dia após a fecundação.

No Congresso dos Estados Unidos, há um projeto de lei que pretende criar um banco de tecidos humanos de fetos abortados. Na Rússia, a venda de bebês abortados para tratamento de beleza e rejuvenescimento custa até 20 mil dólares. Há também os defensores da inseminação artificial que defendem a legalização do aborto. Pois, para cada sucesso de uma inseminação fora do útero, vários embriões são descartados, portanto, sacrificados. Segundo os cientistas, no estágio atual dos estudos, apenas 5% a 10% dos embriões fertilizados artificialmente são aproveitados, isto é, têm condições de nascer, os demais não são bem sucedidos, onde são sacrificados e encaminhados para experiências em laboratórios.

Por outro lado, a legalização do aborto viria a resolver o problema da “redução embrionária”, a questão da seleção de embriões. Há também os fabricantes de produtos utilizados nos métodos artificiais de planejamento familiar: contraceptivos e abortivos, que apóiam a política anti-natalista. Laboratórios farmacêuticos (pílulas injetáveis, etc.), fabricantes de DIU, de camisinha, etc…

Recentemente a produção de pílulas abortivas, como a RU-486, a “pílula do dia seguinte” e outros artefatos igualmente abortivos tentam mudar a prática do aborto cirúrgico substituindo-o pelo aborto químico ou mecânico. Esses produtos provocam o aborto “sem sofrimento” (para a mãe), e constituem os abortos no silêncio ou abortos piedosos. E ainda há os fabricantes de cosméticos e sabonetes, que se utilizam de fetos abortados como matéria-prima para seus produtos, conforme contam Michael Litchfield e Susan Kenatish, no livro “Bebês para Queimar – a Indústria do Aborto na Inglaterra”.

5) Quais são estas instituições promotoras do aborto no Brasil?

Hermes: Os organismos que estão trabalhando internacionalmente pela aprovação do aborto são as fundações (que planejam e financiam as ações) e as organizações não governamentais (que as executam) e que promovem tudo isso com enormes somas de dinheiro, como: a “Ford, a Rockefeller, a MacArthur, a Buffet” (entre as fundações), e a “International Planned Parenthood Federation (IPPF)” (que tem filiais em quase 150 países), a “Rede Feminista de Direitos Sexuais e Reprodutivos, as Católicas pelo Direito de Decidir” (que não são católicas, mas usam o nome para confundir principalmente os católicos), a “Sociedade de Bem-Estar Familiar no Brasil (Benfam) e a International Pregnancy Advisory Services (IPAS)”, entre as “ONGs pró-aborto”.

A filial norte-americana da IPPF, por exemplo, detém uma rede que abarca 20% de todas as clínicas abortistas dos Estados Unidos. Segundo a fundadora das Católicas pelo Direito de Decidir, Frances Kissling, a IPPF só trabalhou na propaganda pela legalização da prática do aborto nos EUA, mas não queria entrar diretamente no negócio das clínicas, “para não ser estigmatizadas” pelo público.

Mas, numa longa entrevista tornada pública, ela mesma conta que as Fundações que financiam as atividades da IPPF, obrigaram-na a entrar diretamente na estruturação e gerência da própria prática do aborto, tornando-se hoje a maior promotora de abortos na América e no mundo”. Veja bem! As Fundações usam as ONGs para seus fins utilitaristas, da forma mais pragmática. O argumento, portanto, dos direitos reprodutivos não passa de retórica, que seduz os desinformados (entre eles, os políticos), em prejuízo de muitos, especialmente as mulheres pobres, que são as mais vitimadas por essa lógica inumana.

6) O senhor poderia nos dar algum exemplo, em termos de valores desses financiamentos, com as respectivas fontes?

Hermes: Tomemos, por exemplo, a Ong “Católicas pelo Direito de Decidir”. Essa organização é uma das mais ferrenhas defensoras da legalização do aborto, tendo estado presente na audiência pública da CSSF, em Brasília/DF, onde mais do que a legalização, defende o direito ao aborto, atuando para transformá-lo, num futuro próximo, em direito humano reconhecido pela ONU. Os mais de 99% de seu orçamento para promover a difusão e a legalização do aborto não provém de brasileiros, mas de doações de instituições estrangeiras.

Os relatórios anuais da Fundação Ford, uma das principais financiadoras mundiais pela legalização do aborto, mostram que praticamente todos os anos foram feitas doações da ordem de diversas centenas de milhares de dólares à sede central das Católicas pelo Direito de Decidir, em Washington e às suas filiais nos países da América Latina.

As doações à regional brasileira nunca são inferiores a US$ 100 mil dólares ao ano. Em 2003, a sucursal brasileira das Católicas pelo Direito de Decidir, recebeu da Fundação Ford, apenas para o trabalho de um ano, sem mencionar o montante recebido de outras fundações, um total de US$ 430 mil dólares. As Católicas pelo Direito de Decidir foram fundadas em 1993 no Brasil, graças ao apoio financeiro da Fundação MacArthur, que durante os anos 90, investiu US$ 36 milhões de dólares, na implantação do aborto no Brasil, não incluindo outros programas similares que estavam sendo desenvolvidas pela mesma Fundação no México, na Índia e na Nigéria. Uma outra organização, o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA), faz o “lobby” no Congresso Nacional, para a legalização do aborto. E essa organização recebe centenas de milhares de US$ dólares, dessas fundações e instituições da ONU.

7) Que outros exemplos poderia mencionar do financiamento destas corporações internacionais para pesquisa e difusão do aborto no Brasil?

Hermes: As fundações internacionais, como as que mencionamos, há décadas traçam as estratégias e financiam os trabalhos que serão realizados pelas organizações locais; as únicas que terão alguma visibilidade para um reduzido público. Para a grande maioria do povo, nem mesmo estas organizações aparecem, apesar de serem contadas em várias centenas no Brasil e em muitos milhares no estrangeiro, e estarem espalhadas por todo o globo em uma rede estrategicamente coesa, coordenada pelo financiamento das grandes Fundações.

Só para se ter uma idéia, uma única pesquisa intitulada “Questões da Anticoncepção e do Aborto”: um estudo comparado Brasil e Espanha, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, recebeu um auxílio-bolsa de iniciação científica no valor de R$ 1.529.436,00, em 2004. Conforme reportagem do “The New York Times”, em 2 de fevereiro desse ano, o orçamento anual das Católicas pelo Direito de Decidir (apenas da seção norte-americana) é de US$ 3 milhões de dólares, amplamente financiado por Fundações bem conhecidas, entre as quais estão a “Fundação Ford”. Conclusão: É muito dinheiro em jogo, e ninguém investe tanta soma de recursos sem retorno.


AS FUNDAÇÕES DA ESCOLHA

7 outubro, 2010

Nestes dias tumultuados, em que ninguém é contra o aborto, nem a favor e muito pelo contrário, vem a calhar colher algumas razões dessa tal de opção pró-escolha. O artigo abaixo, apesar de claramente anti-aborto, traz algumas informações até hoje não muito divulgadas e, principalmente, jamais negadas.

O caso, entenda-se, não é ser contra tão somente, mas ser contra por qual ou quais motivos. Se as razões morais não bastam, então tome nota de um bom punhado de razões práticas: políticas, econômicas e sua inevitável somatória.

Como de praxe, há muita grana das fundações biliardárias envolvidas na história.

O artigo abaixo foi escrito há mais de 10 anos por Humberto Vieira, então presidente da Associação Nacional Pró-Vida. Ideologias à parte, há dados á penca ali, o que já vale a leitura.

Aspectos políticos do aborto
Prof. Humberto L. Vieira
Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família

Quando falamos em aborto sempre pensamos no assassinato de crianças por nascer, geralmente nos vêm à lembrança imagens de fetos abortados cirurgicamente, quer por sucção, quer por curetagem ou ainda dilaceração e curetagem.

Nem sempre se fala dos “abortos no silêncio”, isto é, aqueles que se dão no início da vida e que nem sempre as mães sabem que estão abortando. São abortos resultantes de drogas e produtos abortivos, geralmente denominados de anticoncepcionais, ou, ainda os `descartes’ de embriões excedentes de uma fecundação artificial.

Mas nunca são abordados os aspectos políticos que estão por trás do aborto. Suas origens, seus promotores, os interesses políticos, eugênicos e comerciais que motivam o aborto e sua legalização. É justamente sob estes aspectos que desejo falar a vocês hoje.

Duas são as principais origens da promoção do aborto e de sua legalização:

a) origem eugênica

b) origem política

1. Origem Eugênica

A origem eugênica vamos encontrar nos estudos da sociedade inglesa de eugenia. Sua maior expressão foi Margareth Sanger, americana de nascimento que desenvolveu seu trabalho na Inglaterra no início deste século com seu programa de controle de nascimentos que posteriormente, em 1952, se transformou na IPPF – International Planning Parenthood Federation (Federação Internacional de Planejamento Familiar), hoje presente em 142 países. No Brasil sua afiliada é a BEMFAM – Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar.
Vejamos algumas de suas idéias escritas no livro “Pivot of Civilization” e artigos publicados em sua revista “Birth Control Review”

“Os seres sadios devem procriar abundantemente e os inaptos devem abster-se… este é o principal objetivo do controle da natalidade” (M. Sanger)

“Controle de natalidade – mais filhos dos saudáveis, menos dos incapazes”

“Controle de natalidade – para criar uma raça de puro-sangue”

“Nenhuma mulher ou homem terá o direito de se tornar pai ou mãe sem licença para a paternidade”

“Os filântropos que dão recursos para atendimentos nas maternidades encorajam os sãos e os grupos mais normais do mundo a igualar o fardo da irracional e indiscriminada fecundidade de outros; que trazem com ele, sem nenhuma dúvida, um peso morto de desperdício humano. Em vez de reduzir e tentar eliminar as espécies que mais comprometem o futuro da raça e do mundo eles tendem a tornar essas raças dominantes numa proporção ameaçadora” (1)

Em sua obra Plano para a Paz, recomendava Margaret Sanger:

“a – impedir a imigração de certos estrangeiros cuja condição é conhecida como prejudicial ao vigor da raça, tal como os débeis mentais

b – aplicar uma política severa e rígida de esterilização e segregação à parcela da população mestiça ou cuja hereditariedade seja tal que os traços indesejáveis possam ser transmitidos a sua descendência;

c – proteger o país contra futuro peso da manutenção de famílias numerosas tais como aquelas de pais débeis mentais, aposentando todas as pessoas com doenças transmissíveis que aceitem voluntariamente a esterilização;

d – conceder aos grupos que deterioram a raça opção entre a segregação ou esterilização;

e – destinar terras e habitação rural para aquelas pessoas segregadas e que seriam treinadas para trabalhar sob supervisão de instrutores competentes pelo resto de suas vidas.

f – fazer um levantamento dos grupos secundários tais como analfabetos, indigentes, desempregados, criminosos, prostitutas e toxicômanos, separá-los em departamentos com assistência médica e segregá-los em fazenda o tempo necessário ao seu fortalecimento e desenvolvimento da conduta moral”

“Margareth Sanger declarou claramente seu fundamento lógico do controle de natalidade (veja pág. 122): lembrando àqueles membros da sociedade que são “auto-suficientes”, economicamente e moralmente, do alto custo e o “tremendo peso” para eles suportarem os que são dependentes; ela defende a tese de que seria lógico gastar dinheiro público somente com crianças cuja constituição (i. é. genética) fosse capaz de se beneficiar da educação; o pobre, que era obviamente geneticamente inferior, não deveria se beneficiar de tal ajuda e simplesmente deveria ser eliminado” (Margareth Sanger, Pivot of Civilization)

“A melhor maneira de fazer a educação do Negro é a religião. Não deve transpirar que nós queremos exterminar a população negra; por conseguinte, o ministro é o homem totalmente indicado para ratificar essa idéia” (2).

Ainda hoje encontramos seguidores dessa ideologia:

A tese da superioridade da raça branca encontra em nossos dias defensores que são apoiados pelos que trabalham para “melhoria da raça humana”.

Um recente livro com 850 páginas, de autoria do cientista social Charles Murray e do psicólogo Richard Herrnstein, da Universidade de Harvard, procura demonstrar, através de estudos estatísticos, a superioridade da raça branca. No livro “The Bell Curve” (A Curva Normal) escrevem os autores, segundo artigo publicado na Revista VEJA: (3)

1. Os negros são intelectualmente inferiores aos brancos, e por isso, menos vocacionados ao sucesso na vida.

2. Isso é determinado por vários fatores, mas o predominante é genético. Há pouco o que fazer.

3. O governo não deveria gastar bilhões de dólares na manutenção de caríssimas escolas experimentais para negros e pobres. Eles não conseguirão elevar intelectos que a biologia comprometeu.

4. O correto seria investir no aprimoramento da “elite cognitiva”, majoritariamente caucasiana, abençoada por uma natureza superior.

Segundo a reportagem da VEJA, embora chocante nas conclusões que tira, a tese tem consistência em alguns argumentos básicos que apresenta.

2. Origem Política

Encontramos a origem política do controle de natalidade, aí incluído o aborto, no documento: “Implicações do crescimento demográfico para a segurança e os interesses externos dos Estados Unidos” (4).

Esse documento estabelece estratégias e recomendações para o controle de natalidade e quanto ao aborto declara:

“Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos:
– nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto.
– As leis de aborto de muitos países não são estritamente cumpridas e alguns abortos por razões médicas são provavelmente tolerados na maioria dos lugares. É sabido que em alguns países com leis bastantes restritivas, pode-se abertamente conseguir aborto de médicos, sem interferência das autoridades”.

“…Sem dúvida alguma o aborto, legal ou ilegal, tem se tornado o mais amplo método de controle da fertilidade em uso hoje no mundo”. (pág. 182/184).

Entre suas estratégias está o uso da mulheres e organizações feministas para conseguir os objetivos propostos por aquele relatório:

“A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países subdesenvolvidos são particularmente importantes na redução do tamanho da família. Para as mulheres, o emprego fora do lar oferece uma alternativa para um casamento e maternidade precoces, e incentiva a mulher a ter menos filhos após o casamento. A mulher que tem de ficar em casa para cuidar dos filhos tem de renunciar a renda que ela poderia ganhar fora do lar. As pesquisas mostram que a redução da fertilidade está relacionada com o trabalho da mulher fora do lar (pág. 151).

3. Outros Grupos de interesse

Outros grupos de interesse também se associam aos anteriores. Diversos são os motivos que levam esses grupos a defender o aborto.
Entre esses grupos estão:

a) Os interessados em transplantes de tecidos vivos.

Defendem a legalização do aborto para experiências científicas com seres humanos vivos. Na Inglaterra, por exemplo já se aprovou uma lei permitindo experiências com seres humanos até o décimo quarto dia após a fecundação.

b) Os que comercializam tecidos humanos de fetos abortados.

c) grupos de pesquisas com embriões humanos
• – O uso de óvulos de bebês abortados para a fertilização “in vitro” e que serão utilizados para pesquisa;
• – Provocar a gravidez pela estimulação de óvulos de embriões femininos, conhecido também como “nascimento virginal”
• – Reprodução de embriões humanos para experimentação por meio da fertilização “in vitro”, assim como o uso de embriões “descartados”, que são desprezados por mulheres e casais que se submetem à fertilização artificial;
• – A clonação ou gemelação de embriões humanos. Isto é, trata-se de produção de cópias físicas exatas de seres humanos individuais. Estas “copias” poderiam ser utilizadas como reservas para a doação de órgãos para uma criança já nascida ou para um casal que tenha perdido o “original”, patenteado como uma criança “modelo”;
• – Experimentos que produzirão formas de vida híbrida, utilizando gametas humanos e de animais.;
• – A preservação de apenas partes vivas de embriões, em cultura de células, para provisão de órgãos para transplantes (Comunicado da “American Life League, Inc”, de 21.3.94).
• – Extração de óvulos de fetos abortados para posterior fecundação com espermatozóides humanos – bancos de embriões. Uma senhora de 59 anos na Inglaterra foi fertilizada por esse processo. A criança nascida dessa tecnologia é filho de mãe que não nasceu.

d) Os defensores da inseminação artificial

A razão é muito clara. Para cada sucesso de uma inseminação fora do útero vários embriões são descartados, são sacrificados. Segundo os cientistas que cuidam do assunto, no estágio atual dos estudos, apenas 15 a 20% dos embriões fertilizados artificialmente são aproveitados, isto é, têm condições de nascer. 80% deles não são bem sucedidos: são sacrificados, se perdem por aborto espontâneo, ou são descartados.

Por outro lado, a legalização do aborto viria resolver o problema da “Redução embrionária” (seleção de embriões). Nesse caso são colocados 4, 6, 8 embriões no útero de uma mulher na esperança da certeza de “pegar ” um ou dois. Quando acontece que 4 ou mais embriões se desenvolvem escolhe-se 2 e os demais são sacrificados. Esse procedimento tem sido comum, entre nós, com a fertilização “in vitro”. (5)

e) Os fabricantes de produtos utilizados nos métodos artificiais de planejamento familiar:

Os laboratórios farmacêuticos (pílulas, injetáveis, fabricantes de DIU, camisinha etc) por motivos óbvios, também apóiam a política antinatalista. Mais recentemente sabe-se que a pílula anticoncepcional também pode provocar o aborto. Recentemente a produção de pílulas abortivas, como a RU-486 (de invenção de Dr. Banlieu, fabricada pelo Laboratório Roussel), a “pílula do dia seguinte” e outros artefatos, igualmente abortivos como o DIU, tentam mudar a prática do aborto cirúrgico substituindo-o pelo aborto químico ou mecânico. Esses produtos provocam o aborto “sem sofrimento” (para a mãe) e constituem os “abortos no silêncio” ou abortos “piedosos”.

f) fabricantes de cosméticos e sabonetes

Alguns fabricantes de cosméticos e sabonetes utilizam-se de fetos abortados como matéria prima para seus produtos (6).

Além dos fabulosos recursos financeiros para o controle populacional os fabricantes desses produtos investem milhões de dólares para tornar o aborto legal e a contracepção um programa de governo objetivando a venda de seus produtos e a expansão de seus negócios. O que menos vem em conta é a vida humana. A ganância do lucro supera a mínima preocupação com a ética, a moral e mesmo a saúde e o bem estar de seus clientes.

4. – Recursos financeiros para o controle de população

Uma publicação do Fundo de População da ONU relaciona os projetos e recursos financeiros destinados ao controle de população (7). Vários são os projetos desde o treinamento de pessoal de saúde à compra de anticoncepcional e à mudança da legislação para tornar legal o aborto, a contracepção, a esterilização, o homossexualismo etc. O total desses projetos para o Brasil, segundo aquela publicação chega a mais de 840 milhões de dólares para cinco anos.

Apresentaremos nesta exposição apenas alguns projetos e recursos destinados à alteração da legislação brasileira e ao `lobby’ no Congresso Nacional para aprovação de projetos de lei destinados à legalização do aborto, da esterilização, da contracepção, da união civil de pessoas do mesmo sexo.

Esses recursos são destinados às organizações femnistas, entre elas o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA), organização que faz `lobby’ no Congresso Nacional para instituições e organizações internacionais interessadas no controle de população.

Esses recursos também são destinados ao GPEPD – Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento. Trata-se de um grupo de parlamentares apoiado, entre outros pela IPPF e pelo FNUAP que tem por objetivo adaptar a legislação brasileira aos interesses internacionais de controle de população, incluindo-se a legalização do aborto, da contracepção, da esterilização, da união civil de homossexuais etc. Em cada país da América Latina há um grupo de parlamentares com esse objetivo. Os GPEPDs dos vários países da América Latina constituem o GPI – Grupo Parlamentar Interamericano.

Vejamos alguns exemplos desses projetos:

Esses recursos explicam os diversos projetos de lei de aborto em tramitação no Congresso Nacional e o esforço dos grupos feministas para sua aprovação.

Para o CFÊMEA
Monitoração e educação política dos direitos das mulheres.
Fundação Ford

1994- 1995: 50,000
1994-1998: 323.000

Fundação MacArthur
Para apoio a um programa dirigido a líderes políticos e ao público em geral.
1994-1996: 300.000

Centro Feminista Para Pesquisa e Informação
Fundo de População da ONU (FNUAP)
Sistema de Informação Sobre o Congresso. O projeto dispõe de informações atualizadas sobre iniciativas legais, os textos das propostas legislativas, votação, perfís dos parlamentares, e outras informações como um instrumento para promover a mobilização social em direção as questões de igualdade e equidade

1995-1996: 140,000

Coalizão Internacional da Saúde da Mulher
Fundação do Serviço Geral
Apoiar a saúde reprodutiva e o movimento dos direitos da mulher, para defender mudança política, dando ênfase nas leis e práticas do aborto, e na qualidade dos cuidados de Saúde Reprodutiva (RH) no Brasil, Chile, Peru e redondezas

1995-1996: 35,000

Organizações feministas nao especificadas
“Nos anos recentes, especialmente desde que a USAID retirou seu apoio, FPIA ampliou seu campo de ação procurando trabalhar com grupos e pessoas em projetos relacionados ao aborto. Doações foram feitas para agencias no Zaire, Congo, Kenia, Irlanda, Austrália, Bangladesh, México, Brasil, Peru, Equador, Bolívia e Nicarágua para estabelecer serviços de aborto seguro, fornecendo referência e aconselhamento sobre aborto, defendendo direitos reprodutivos, e legalmente contestando leis restritivas ao aborto.”Fonte: “, website:www.ppfa.org/ppfa/fpia_what_done.htm
Family Planning InternationalAssistance (FPIA)

Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe.
Rede de Saúde da Mulher da América Latina e do Caribe (Bolívia, Brasil, Peru, Guatemala, Nicarágua). Apoio a LACWHN (Rede de Saúde da Mulher dos Países da América Latina). A LACWHN visa promover a saúde sexual e reprodutiva e direitos da mulher na América Latina e no Caribe mediante transferência de experiência, promoção de habilidades e lobbying de líderes políticos sobre assuntos de saúde reprodutiva e direitos.

Países Baixos – Departamento de Cooperação de Desenvolvimento Multilateral.
1996-1998: 367.500
NLG
Fonte: Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World – 1995/96

Para o GPI e GPEPD
FNUAP – Fundo de População da ONU
Programa de informação e educação para líderes políticos do hemisfério ocidental. O objetivo do projeto é aumentar o entendimento dos parlamentares sobre os assuntos apresentados na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento do Cairo para ajudar-lhes a desempenhar um papel pró-ativo nos preparativos e nas atividades seguintes , aumentar a participação parlamentar na Conferência, e aumentar o conhecimento de jornalistas sobre a Conferência de População.
Promover o papel dos parlamentares nos assuntos de Conferência do Cairo. O principal objetivo do projeto é promover coerência entre políticas de população de desenvolvimento sustentável, fortalecer a colaboração entre parlamentares do Hemisfério Ocidental e criar interesse para os assuntos de direitos reprodutivos da mulher e meio-ambiente.

1996: 399.000

1966: 118.000

Programa Informativo e Educacional Para Políticos do Hemisfério Ocidental O objetivo do projeto é o de aumentar a compreensão dos parlamentares sobre as questões apresentadas na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (ICPD) de 1994, a fim de ajudá-los a representar um papel pró-ativo tanto nas atividades preparatórias como nas de seguimento, realçar a participação parlamentar na Conferência e aumentar o conhecimento dos jornalistas sobre a ICPD.

1994-1995: 354.000
Fonte: Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World – 1995

Obs. Outros projetos globais e os chamados “Projetos Guarda-chuva”contemplam recursos para mudança da legislação e para o `lobby’ no Congresso Nacional.

O `lobby’ feminsta é feito através de seminários, `worshop’, boletins, folhetos assessoramento a parlamentares na elaboraça de projetos de lei, de emendas, proposições outras, orientação para votação, pesquisa entre parlamentares e pressão por ocasião da votação de projetos de seu interesse.

Por outro lado, os membros do GPEPD são assessorados pelas organizações feministas e têm conseguido a aprovação de alguns projetos de lei de seu interesse. Muitos parlamentaes por desinformação e mesmo de boa fé votam pela aprovação desses projetos imaginando estarem defendendo à causa das mulheres, quando na realidade estão defendendo interesses contrários à sociedade. Os membros do GPEPD não se identificam, mas coincidentemente os parlamentares dos chamados “partidos de esquerda”, com raras exceções, são os autores de projetos de lei de aborto e da união civil de pessoas do mesmo sexo e votam pela aprovação desses projetos. Alguns deles são consultores do CFÊMEA.

Também é evidente que parlamentares que votam pela aprovação desses projetos estão, de uma maneira ou de outra, comprometidos com os grupos de controle de população, embora muitos desconheçam seus objetivos e, de boa fé, aprovam tais projetos na intenção de estarem ajudando à causa das mulheres.

Para melhor compreendermos esses projetos é importante atentarmos para os eufemismos utilizados pelos grupos feministas. Assim, os programas denominados “saúde sexual e reprodutiva” e “saúde reprodutiva” incluem aborto como um direito da mulher. O mesmo se dá com “igualdade de gênero”, “não discriminação sexual” para significar `direito dos homossexuais’. “Vários tipos de família” (família monoparental, família de homossexuais, união estável etc são conceitos que têm o objetivo de descaracterizar `família’ como hoje entendemos.

Esses eufemismos são discutidos em conferências internacionais onde grupos feministas radicais pretendem impor suas ideologias aos diversos países.
Concluindo podermos dizer que as tentativas para legalização do aborto como método de controle de população não são casuísticas e sim fruto de projetos altamente financiados por grupos e organizações interessadas na melhoria da raça humana e no domínio político do mundo.

Bibliografia

01 – Implications of Worldwide Population Grown for U.S. Security and Overseas Inrterests – NSSM 200 (Relatório Kissinger). A PROVIDAFAMÍLIA tem o documento completo em inglês e um extrato já traduzido para o português, publicado na página http://providafamilia.org.
02 – Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World – Publicação do Fundo de População das Nações Unidas – publicação bi-anual. A PROVIDAFAMÍLIA tem o extrato dessa publicação na parte referente ao Brasil, publicado na página http://providafamilia.org.
03 – Aborto: Aspectos Políticos – Prof. Michel Schooyans, Editora Marques Saraiva
04 – Aborto Direito à Vida – João Evangelista dos Santos Alves, Dernival da Silva Brandão e outros – Agir.
05 – Projetos de Lei de interesse da vida e da família, em tramitação no Congresso Nacional.
06) Quem Decide? Poder Política e Controle de População – Tradução da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família.
07) Margareth Sanger, Father of Modern Society – Elasar Drogin, CUL Publications, New Hope, KY 40052, 1986
08) Linda Gordon, Woman´s Body, Woman´s Right: A Social History of Birth Control in America
09) La Face Cachée de L’ONU, Michel Schooyans, Le Sarment, Paris, outubro de 2000
(Conferência proferida no Auditório Petrônio Portela, do Senado Federal, em 30.05.2001)
(1) M.Sanger, Pivot of Civilization (New York, Bretano´s), 1922 p. 177, in Father of Modern Society, Elasah Drogin.
(2) Linda Gordon, Woman´s Body, Woman´s Right: A Social History of Birth Control in America.
(3) Revista VEJA, 26 de outubro, 1994, pág. 84-86
(4) NSSM 200, também denominado de “Relatório Kissinger”. Datado de 24 de abril de 1974, liberado pela Casa Branca em 13 de junho de 1989
(5) Vide reportagem da Revista ISTO É, de 3 de dezembro de 1997 n. 1470. Caso de uma mulher que desenvolveu, em seu útero, 4 embriões, com ténica de reprodução assistida e o médico sacrificou 2 de seus filhos alegando que os embriões e a mãe corriam risco de vida.
(6) Vide “Bebês para Queimar – a Indústria do Aborto na Inglarerra, Michael Litchfield e Susan Kenatish – Edições Paulinas)
(7) Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World. Publicação do Fundo de População da ONU. Os dados a que se referem esta exposição são de 1996.
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Espinhos no caminho

5 janeiro, 2009
Em se tratando de idéias, pessoas são irrelevantes, nos serve a lógica, os fatos e uma boa relação entre ambos. É diverso em se tratando de política, pessoas importam. Pessoas condutas, intenções, ações, omissões, nos dizem muito sobre as finalidades reais dos nobres objetivos gritados nos palanques, dão uma pista boa de se seguir, sem dispensa do bom escrutínio crítico. E não só na política estatal, governamental, eleitoral, também na política mais ampla, no jogo ideológico. Veja-se o caso do movimento pró-aborto na Nicarágua, o qual usou uma menina estuprada como símbolo de sua luta, promovendo-lhe o ato por conta de um estupro nunca elucidado, violência dada em 2.002, tudo com apoio claro e decisivo do padrasto. Pois agora descobriu-se que a moça, de nome Rosita, foi novamente estuprada e tem um filho de pouco mais de um ano e meio. A mãe diz que é coisa do padrasto. Pior, tudo indica que o movimento sabia do novo atentado. Até o momento, nenhuma explicação satisfatória para o rolo. Deve ser porque a única que há é desfavorável à causa: eles não se importam com a menina, só com a grande luta. Se a luta é pelas pessoas, como se pode não se importar com elas mesmas?

Na época do primeiro estupro, Rosita tinha 9 anos de idade. Ela havia identificado um vizinho como o suposto criminoso, mas ao fim ele foi inocentado por falta de provas. No começo de 2.003 o movimento Rede de Mulheres, depois de uma barulhenta campanha, promoveu o aborto na menina com apoio do padrasto. Tudo contra recomendações médicas de que seria mais seguro ela dar à luz.

Feito o aborto, as feministas foram categóricas em dizer que tudo estava bem e que a criança estava feliz e sorridente com suas bonecas.

Rosita foi bater na porta das autoridades, por conta de maus tratos da mãe, Sra. Maria de los Santos Esquivel Reyes. Esta, por sua vez, denunciou o padrasto, Sr. Francisco Leonardo Fletes Sanchez, O caso foi passado para a Delegacia de Polícia da Mulher, órgão acusado de ser comandado por simpatizantes e ativistas do aborto.

A única coisa dita pelo movimento, na pessoa da Sra. Jamileth Mejía, a respeito do caso passado é que garante que não houve engano algum no passado, mas que talvez agora a menina esteja equivocada. Antes, quando o estupro foi favorável à causa, não houve engano, apesar da falta de provas; agora, que o novo estupro é contrário, pode haver engano. Para qualquer pessoa letrada, esse tipo de atitude é atestado de manipulação de fatos.

Vizinhos dizem que a menina saiu de casa porque a mãe teria acusado a filha de manter relações com o padrasto.

O padrasto foi detido e disse que tudo não passa de querelas entre as duas. Encontra-se solto por questões processuais.

Não é privilégio de movimentos feministas esse tipo de atitude, nem de esquerda e nem de direita. Em nome de causas sagradas vai-se, paulatinamente, perpetrando-se seguidas imoralidades, crimes e até mesmo atrocidades. Sempre que alguém diz agir em prol do bem de muitos, algo de ruim se pode esperar.

Diante de fatos assim, como acreditar que o mérito da causa seja realmente bom?

Lembremos Dostoievski: se o preço de um mundo melhor é a lágrima de uma criança inocente, então ele não deve ser um bom lugar.

(nota: foi publicado anteriormente no velho blog)