INTELIGÊNCIA NO CENÁRIO POLÍTICO É COISA CONTROVERSA

27 outubro, 2010


Pois é. Nem a ciência quer meter a mão no vespeiro político brasileiro. Conforme notícia publicada no Globo, cientistas são relutantes em afirmar que existe algo similar à inteligência humana em animais (http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2010/10/25/estudos-avancam-mas-inteligencia-animal-ainda-alvo-de-controversia-922857165.asp). Eles vêm tentando descobrir se de fato os bichos são inteligentes ou apenas reles imitadores ou quem sabe apenas ajam por instintos irracionais de um modo similar ao que nós faríamos em situações análogas. De 1960 para cá o interesse na coisa aumentou bastante e hoje se fazem pesquisas em campo e laboratório para resolver a pendenga de vez, mas ainda não há nada conclusivo.


É claro que o fato de um animal não ser inteligente não o torna menos apto à sobrevivência, talvez seja até uma vantagem, como bem prova o noticiário político.

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UMA GALERA ENCONTROU A SAÍDA PARA O BRASIL

22 outubro, 2010


O bicho tá pegando em território americano. A culpa é dos brazucas. Algum graúdo da burocracia do Tio Sam pode pensar neste momento: “Quantos funcionárias nós precisar para dar conta de tantas selvagens querendo ir pro civilizacion?”. A embaixada americana não agüenta o tranco, as filas para obter visto americano são gigantescas. Resolveram fazer um mutirão e vão atender até no domingo, média de 2500 pessoas por dia, segundo notícia do UOL: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/818712-embaixada-dos-eua-faz-mutirao-para-atender-demanda-por-vistos.shtml. A maioria esmagadora dos pedidos é de visto de turista. Quem acreditar que essa gente toda só quer ver o Mickey de perto, por favor, ajude com a caridade e compre uma rifa de um Passat, procurar o Sr. Paulo Maluf. A cambada tá é dando no pé. Nego sabe muito bem que a realidade é bem diversa das maravilhas televisivas que o PT anda propagando. Estão de saco cheio de pagar impostos, criarem um monte e nada dar certo. Parte razoável da gente criativa e empreendedora decidiu: a saída para o Brasil é o aeroporto.

A quantidade de pessoas se mandando paa o exterior só cresce e não tem nada a ver com viagens de férias. Vão na informalidade mesmo, arriscar, tentar a sorte, porque por aqui a sorte foi transformada em uma repartição pública.

Os empreendedores sofrem com a burocracia e com os juros altos. Se quiserem uma dessas linhas d crédito mais baratas, mas nem tanto, que o estado oferece, precisam além de pagar os juros normais e ter de respeitar as leis como qualquer outro, precisam ainda se comprometer a seguir uma série de diretrizes ideológicas. E hoje é muito mais negócio montar uma ONG do que uma padaria, porque muito mais fácil, menos tributado e menos fiscalizado.

Os indicadores econômicos podem estar até bem, razoáveis e decentes. Mas a galera sente que nisso tudo, algo não está bem: eles mesmos. Nesse particular, guardadas as devidas proporções, o Brasil se assemelha à China: a economia vai bem, o povo vai mal. Guardadas as devidas proporções, foi o escrito e espera-se que seja o lido.

A iniciativa científica brasileira é mais maltratada que filha solteira grávida, os artistas ou passam o pires num guichê estatal para ganhar umas merrecas uma ou duas vezes por ano ou continuam no amadorismo, os atletas, idem, noves fora as exceções de praxe. Pra todo lado que se olha, gente capaz, talentosa, dá com os burros n’água. Essa gente não acha grande negócio passar o resto da vida carimbando em repartição, nem ficar vendendo pasta de dente em balcão de farmácia ou mesmo contando dinheiro em caixa de banco. Essas opções podem ser sedutoras para quem mal consegue passar num vestibular ou simplesmente não tem maiores pretensões da vida, o que não é crime, nem pecado e nem mesmo é errado. Mas também não é errado que um músico talentoso queira viver desse talento. Ou um escritor. Ou um biólogo, o que for. Eles não querem ficar dependendo da boa vontade do político do momento para conseguir uns caraminguás para pagar as contas, querem que seus esforços se revertam em seu benefício próprio e, no processo, dar ao público algo útil e/ou bonito.

Vejamos um curioso caso. A Beyonce, artista multimilionária, cujos shows são uma mega-produção, teve sua banda montada por meio de anúncios de jornal. Nada de pegar oguitarrista queridinho da mídia ou amigo de fulano. Não, não, não. O produtor colocou um anúncio em revistas especializadas, digamos, a Guitarplayer, recebeu vídeos com as performances dos interessados, entrou em contato com eles, combinou o preço e contratou. Bastou ao interessado mostrar que tinha talento apto ao show do interessado, simples assim. E antes que alguém fique pensando que um show de uma cantora pop americana aceite qualquer coisa, adverte-se: a maioria esmagadora dos músicos que assiste ao show confirma que a banda é danada de boa. E do mesmo modo, muitos outros shows são montados assim. E músicos de estúdio ganham mais do que a maioria dos gravam discos próprios. E não há necessidade alguma de se apresentar um projeto burocrático a algum delegado de cultura do partidão, quer dizer, secretaria de cultura estatal.

Povo criativo, capaz, talentoso, gosta e precisa disto: liberdade. não quer saber de ficar em fila para conseguir um cartão qualquer coisa. Quer meter as caras e ver no que dá. E tentar de novo. Só precisa que haja espaço para tentar. Os pedreiros estão bem, é certo, sua mão de obra hoje é escassa e seu preço está batendo recordes e mais recordes. Ótimo, que isso aconteça também com os padeiros, pintores e faxineiros. Mas o mundo é muito mais vasto do que isto, há um sem número de pessoas que possuem outras capacidades e aptidões. O governo PT, francamente, pode ser bom para bancos, grandes construtoras e respectivos empregados, mas não para a galera que tem mais tutano que muque. Essa gente quer tentar viver do próprio talento e por aqui não dá, porque impera a mediocridade ou a venda de consciência. Projetos que não sejam aprovados pelos comitês de arte do estado não recebem verba. Desafia-se qualquer um a mostrar que haja um filme ou espetáculo de arte de caráter conservador financiado com dinheiro público. Pode ser um que não seja meramente “de vanguarda”, um politicamente incorreto, enfim, um qualquer que bata de frente com a agenda ideológica do governo de plantão. Não há.

Os EUA são recordistas em patentes porque recebem de braços abertos cientistas, pesquisadores, professores. No Canadá, eles aceitam até advogados formados no Brasil. Não pedem nenhum tipo de compromisso ideológico, só que trabalhem. Aqui, ou reza a cartilha do governo, ou encontra dificuldades, para dizer o mínimo e isto vale para todos os governos. Governo forte não faz bem para o desenvolvimento tecnológico e sem este, estaremos sempre reféns dos estrangeiros em áreas como saúde, telecomunicações, transporte e outras.

Não existe a menor necessidade de uma política pública para manter essas pessoas aqui. Não é preciso montar nenhuma estrutura burocrática, nada disso. Só é preciso que se dê mais ênfase no crescimento econômico, para que elas consigam encontrar quem se disponha a comprar sua arte, sua tecnologia, o que for. E, principalmente, liberdade, para dizer o que quiser e como quiser, para pesquisar o que quiser, para inventar o que quiser. As tais políticas públicas para a arte estão criando panelas de artistas, cujo mote ideológico é realimentado constantemente: só entra quem reza pela cartilha do governo e com isso se influencia novos artistas, que acabam achando tudo isso normal. Financiamento estatal de arte é compra de consciências. Se o governo quer mesmo ajudar, que simplesmente não atrapalhe, que deixe os artistas, cientistas, essa galera toda em paz, para irem onde sua criatividade os leva.

Isso de que o Estado precisa financiar a arte é balela. O cinema americano não tem financiamento estatal e boa parte dos filmes europeus chegam até as locadoras e salas de cinema são feitos com dinheiro privado. Se eles conseguem, por que não os brasileiros?

Os pesquisadores, por seu turno, sempre esbarram nas malditas burocracias acadêmicas para conseguirem uma pesquisa. Muitas vezes o problema não é nem falta de verba, mas a quantidade absurda de requisitos cretinos que devem atender, a maioria dos quais não tem nenhuma finalidade científica, só mesmo burocrática e política. Pior, as empresas não conseguem investir junto às universidades, porque o governo não permite que elas fiquem com as patentes das pesquisas que financiam. Aí só sobra ao pobre pesquisador ficar apresentando projetinho quadradinho ao CNPQ e CAPES.

Felicidades aos pedreiros, mas eles não são os únicos que merecem um lugar ao sol e os talentos que hoje dão no pé, farão falta e este mesmo pedreiro, que nem tem noção desse problema, será prejudicado pelo alto preço dos remédios brasileiros, sua má qualidade, sua escassez na rede pública e todas as mazelas decorrentes da falta de desenvolvimento tecnológico.

As pessoas que criam precisam de menos estado e não de mais. Azar dos funcionários da embaixada americana.

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LEIA ABAIXO:

Sobre o erro de se dar mais crédito ao governo do que ao próprio trabalho e ainda comparar condição de vida de trabalhador de grande cidade com miserável do sertão:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/19/foi-voce-quem-melhorou-sua-vida-nao-o-lula/

Sobre um provocativo e deliberado confronto entre militantes que foi prometido pelos petistas para o dia 24, no RJ:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/22/vao-pro-pau-de-vez/

Sobre Lula ter perdido mais um oportunidade de ficar quieto, a vergonha do jornalismo do SBT e a agressão a José Serra no RJ:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/21/bolinha-de-papel-derruba-petistas-e-seus-militontos

Sobre nem o PT dizer onde estão suas propostas de governo, afora a TV:
https://domaugostodamateria.wordpress.com/2010/10/22/comparar-propostas-como-se-o-pt-nao-diz-onde-as-suas-estao/


O jeito Edir Macedo de fazer ciência

27 agosto, 2009

Consta que um belo dia Edir Macedo pregava sobre a importância do dízimo, mais ou menos assim:

“Deus vai operar o milagre na sua vida, ele tem que fazer, porque você já fez a sua parte, se você já pagou o dízimo, já fez sua parte e agora ele tem de fazer a dele, tem de fazer”.

Basicamente, é o carnê-milagre. Pois bem, o que ele faz, mas não só ele, é criar um problema (o cramunhão e/ou a falta de Deus como causa de tudo de ruim) e em seguida vender a solução. Exatamente o que vem fazendo toda a cambada do IPCC, aquela bugrada do aquecimento global antropogênico.

É o caso do Dr. Klaus Lackner, um cientista do Centro de Engenharia da Terra da Universidade de Columbia, EUA. O cara inventou uma árvore artificial. Sim, exatamente isso, uma árvore artificial. Ele bolou um material plástico capaz de reter o dióxido de carbono da atmosfera. Bela invenção, sem dúvida. Para a coisa ter algum efeito seria preciso, segundo ele disse à BBC, montar uma máquina do tamanho de um caminhão. Essa máquina seria capaz de reter por dia Co2 de 20 carros.

Agora, aos números. Uma máquina dessas custaria coisa de US$ 30 mil, uns sessenta mil reais. Para dar cabo de 20 carros. Imagine quanto seria gasto para encarar a demanda de uma São Paulo.

Captou? Ele pode estar na maior boa fé do mundo, não se duvida nada disso, mas veja que bacana, primeiro te dizem que o mundo vai acabar e agora vendem milagres a preço de ouro. E o Dawkins tem a cara de pau de dizer que o mundo da ciência é uma opção melhor que as religiões (como se fosse pouco seu seu Novo Humanismo ser uma religião sem tirar e nem por).

Por outro lado, talvez sem querer, o Dr. Klaus acabou fazendo o que se espera da tecnologia: que nos satisfaça os desejos, minimizando as consequencias. Com uma invenção dessas, num preço mais razoável, não haveria necessidade de se promover uma guerra ao automóvel como se faz agora. Méritos à parte, o que importa é que a ciência e a tecnologia, como a política e instituições em geral, estejam a serviço das pessoas, jamais o inverso.


CTRL+C

11 agosto, 2009

Copio e colo um interessante artigo sobre copiar e colar no jornalismo científico. Veio do blog scienceblogs.com.br (http://scienceblogs.com.br/rainha/2009/08/diploma_ctrlc_ctrlv_jornalismo.php)

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O jornalismo está passando por profundas mudanças, uma grave crise das mídias impressas, ainda mais frente ao menor custo de blogs para produzir um conteúdo de qualidade. E uma das primeiras áreas a sofrer cortes nos jornais é a ciência. Some a isso os blogs de ciência, geralmente escritos por cientistas e a recente queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo e temos o cenário a seguir.

Compartilho da idéia do Carl Zimmer de que os jornalistas são indispensáveis para reportagens científicas, principalmente as investigativas. Demandam tempo e dedicação, e um poder de síntese e discursividade geralmente só obtidos depois de um curso de comunicação. Um livro como A próxima peste, em que Laurie Garret foi até a África e reviu passo-a-passo os eventos do surto de Ebola, entre outras investigações, ilustra bem isso. Mas infelizmente este é o tipo de jornalismo que está sendo inibido com a crise e, desde antes dela, são pouquíssimos os jornalistas capazes de absorver e sintetizar informação científica com fluência.

Quero dar um exemplo do tipo de jornalismo científico mais comum, que dispensa diploma. Na verdade, onde o diploma atrapalha:

Dia 05 de agosto, saiu um artigo sobre HIV na Nature daqueles que mudam a perspectiva de uma área – tanto que devo escrever sobre ele em breve. Desvendaram, em parte, a estrutura do genoma do HIV, como ressaltou Brandon Keim (jornalista dos bons) nesta ótima reportagem da Wired.

Isso é importante pois, a sequência do material genético do HIV, RNA, já é muito conhecida. Bancos de dados como o PubMed e Los Alamos possuem milhares de sequências do vírus, do mundo todo e de vírus próximos, como os vários tipos de SIVs (vírus da imunodeficiência símia): de chimpanzé, gorila, macaco verde e outros. As primeiras sequências são do começo da década de 80, quando o vírus foi isolado e identificado como causador da AIDS. A novidade do artigo foi entender o formato que esse genoma tem.

O genoma do HIV é formado por duas cópias (não necessariamente idênticas) de uma fita simples de RNA de mais de 9000 bases. Diferente do DNA de fita dupla, que quase sempre tem a estrutura fixa de uma dupla hélice, o RNA pode adotar diferentes formas, com regiões complementares se ligando em uma fita dupla, regiões diferentes se afastando e pontos de contato com outras moléculas. Mais detalhes no texto futuro.

No dia seguinte, vejo a seguinte reportagem na agência Fapesp: #fail1

Sequenciado o genoma do HIV
A estrutura de um genoma completo do HIV-1, o vírus causador da Aids, foi sequenciada pela primeira vez por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Chapel Hill, nos Estados Unidos. […]

Claramente o autor se confundiu e disse que o genoma foi sequenciado, algo já feito há mais de 20 anos. Mandei um e-mail falando sobre o engano e, numa postura completamente diferente da arrogância da Veja, a reportagem foi corrigida em minutos (o original com o erro ainda pode ser visto aqui):

Genoma do HIV tem estrutura desvendada
Agência FAPESP – A estrutura de um genoma completo do vírus HIV-1, causador da Aids, foi desvendada pela primeira vez por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Chapel Hill, nos Estados Unidos.

Até aqui, tudo bem, enganos acontecem, e este foi corrigido prontamente, com direito a e-mail agradecendo o aviso. Eis que, minutos depois, me mandam a seguinte reportagem da Veja: #fail2

HIV tem genoma decodificado
Cientistas americanos afirmam ter decodificado o genoma completo do vírus HIV-1, causador da Aids. O anúncio foi feito na quarta-feira, em estudo publicado na revista científica Nature, e abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doença.

Caramba, o mesmo erro da Agência Fapesp, horas depois da notícia sair lá? Resolvi fuçar o Google para saber a fonte disso. Eis que:

No Terra: #fail3
Nova técnica fornece “visão geral” do genoma do HIV – Uma nova técnica permitiu pela primeira vez a decodificação de todo o mapa genético do vírus da Aids… O DNA depende de “tijolos” chamados nucleotídeos, que transmitem a informação sobre duas tiras. Essas unidades básicas são conhecidas pelas siglas A, C, T e G. Já o RNA tem apenas uma tira e depende não só dos nucleotídeos, mas também de um complexo padrão de dobraduras para transmitir a informação. [aqui claramente deram uma desviada no assunto, por não saberem comparar o DNA ao RNA]
Há outros erros mais grosseiros, como o título da reportagem do DCI:
Cientistas americanos decodificam DNA do vírus da AIDS
O Correio Braziliense ainda tentou inovar, entrevistou um dos autores do artigo por e-mail, mas a lambança não foi menor: #fail4
“[…]Descobrimos que o genoma do HIV-1 é amplo e contém duas tranças de RNA com 10 mil nucleotídeos em cada”
E eu que já sabia disso desde 2004, não entro no artigo por quê?

Mas o buraco é muito mais embaixo. Procurando um pouco mais, achei o press release da notícia. A coisa funciona assim, quando um pesquisador de uma instituição X vai publicar um artigo, ele avisa a acessoria assessoria (valeu, zandormaz!) de imprensa da instituição que transforma a pesquisa do artigo em algo inteligível para quem não é da área. Neste caso, Kevin Weeks, professor de química da University of North Carolina School of Medicine, mandou o artigo para Kim Spurr fazer a “tradução”, que conta inclusive com fotos do grupo de pesquisa.

Veja o texto original do press release, grifos meus:

UNC researchers decode structure of an entire HIV genome

CHAPEL HILL – The structure of an entire HIV genome has been decoded for the first time by researchers at the University of North Carolina at Chapel Hill. The results have widespread implications for understanding the strategies that viruses, like the one that causes AIDS, use to infect humans.

The study, the cover story in the Aug. 6, 2009, issue of the journal Nature, also opens the door for further research which could accelerate the development of antiviral drugs.

HIV, like the viruses that cause influenza, hepatitis C and polio, carries its genetic information as single-stranded RNA rather than double-stranded DNA. The information encoded in DNA is almost entirely in the sequence of its building blocks, which are called nucleotides. But the information encoded in RNA is more complex; RNA is able to fold into intricate patterns and structures. These structures are created when the ribbon-like RNA genome folds back on itself to make three-dimensional objects.

Kevin Weeks, Ph.D., a professor of chemistry in UNC’s College of Arts and Sciences who led the study, said prior to this new work researchers had modeled only small regions of the HIV RNA genome. The HIV RNA genome is very large, composed of two strands of nearly 10,000 nucleotides each.

[…]

“There is so much structure in the HIV RNA genome that it almost certainly plays a previously unappreciated role in the expression of the genetic code,” Weeks said.

Swanstrom and Weeks note that the study is the key to unlocking additional roles of RNA genomes that are important to the lifecycle of these viruses in future investigations.

[…]

Weeks added: “We are also beginning to understand tricks the genome uses to help the virus escape detection by the human host.”

Agora vou fazer uso do grande diploma Ctrl+C e Ctrl+V, com especialização em Google Translate. Não corrigi nenhum erro de tradução, para vocês verem como fica:

A estrutura de um genoma inteiro HIV foi decodificado [é aqui que trocam estrutura por sequência] pela primeira vez por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Os resultados têm implicações para a compreensão generalizada das estratégias que os vírus, como o que causa a SIDA, uso de infectar seres humanos.

O estudo, o artigo de capa no Ago. 6, 2009, edição da revista Nature, também abre as portas para futuras pesquisas que possam acelerar o desenvolvimento de medicamentos antivirais.

HIV, como o vírus que causa a gripe, a hepatite C e a poliomielite, carrega sua informação genética como single-stranded RNA ao invés de double-stranded DNA [basta usar ou pouco melhor a ferramenta para trocar por fitas simples e duplas]. A informação codificada no DNA é quase inteiramente na seqüência dos seus alicerces, que são chamados nucleotídeos. Mas as informações codificadas em RNA é mais complexa; RNA é capaz de dobrar em intrincados padrões e estruturas [rapaz, uma busca no Google por essa frase entrega tudo]. Estas estruturas são criadas quando o genoma RNA fita-como pregas volta sobre si próprio para tornar objectos tridimensionais.

Kevin Weeks, Ph.D., um professor de química em UNC da Faculdade de Artes e Ciências, que conduziu o estudo, disse que antes deste novo trabalho investigadores haviam modelado apenas pequenas regiões do genoma RNA VIH. O RNA VIH genoma é muito grande, composto por duas vertentes de quase 10.000 nucleotídeos cada.

[…]

“Há tanta estrutura do RNA do HIV no genoma que quase certamente desempenha um papel não reconhecido anteriormente na expressão do código genético”, disse Weeks.

Swanstrom Semanas e nota que o estudo é a chave para desbloquear adicionais papéis genoma de RNA, que são importantes para a vida útil desses vírus em futuras investigações.

[…]

Semanas [aqui ele traduziu Weeks] acrescentou: “Nós também estamos começando a compreender o genoma usa truques para ajudar o vírus escapar detecção pelo hospedeiro humano.”
Pronto, reportagem feita. Sério. Olhe qualquer notícia em português sobre a descoberta e você vai ver este mesmo texto. A mesma estrutura, as mesmas frases, aquela citação ali embaixo e tudo o mais. A frase sobre vírus de RNA, como gripe, hepatite C e poliomielite, e o “intrincados padrões e estruturas tridimensionais” já se tornaram um clássico.

Minto. Alguns ficaram com a tradução da Reuters. Mas não encontrei nenhuma notícia em português que de fato explicasse o que foi feito de uma maneira diferente das traduções. Duvido que alguém, tenha sequer olhado para o artigo original.

Na reportagem da Wired, dá para perceber que o autor leu o trabalho, leu um outro artigo da própria Nature sobre a descoberta, e aí sim escreveu. Tanto que ele realmente captou a inovação do trabalho e explicou muito bem, a começar pelo título:

Mapping HIV Genome’s Shape, Not Just Sequence

Sei que a pressão por notícias rápidas é enorme e que, quase nunca (torço do fundo do meu coração), é o jornalista quem opta por simplesmente copiar e colar um press release. Mas no caso deste artigo do HIV, quem fez isso simplesmente não conseguia entender o assunto da reportagem, tanto que copiaram errado e contribuiram com tantos #fail. Agora me diga, como alguém que não entende o assunto que está copiando pode informar outros? E qual a necessidade desse tipo de jornalismo quando o press release é de reprodução livre, e o Google Translate está aí? Qual o papel do caderno (quem dera fosse um caderno) ciência de um jornal?

Por isso, acho cada vez mais importante que cientistas e entendidos dediquem parte do seu tempo e conhecimento para explicar ciência (de preferência no ScienceBlogs Brasil, claro). E cada vez tenho mais respeito pelos poucos jornalistas que entendem do que estão falando e dão utilidade ao diploma que conquistaram. Este nunca cairá em desuso.

[update] Nem nisso o Kibe é original
[update2] o que falei aqui vale para a maioria das notícias de ciência, por se tratar de HIV fui mais além nessa
[update3] minha ferramenta de busca de plágio já acusou mais de 20 casos, por causa do trecho do press release que colei.


Por que engrandeceram o reducionismo que nada reduz?

18 dezembro, 2008

Cidadão que usa a curiosa alcunha de Pesky Bee lembra algo deveras importante:

“No dia 25 de Dezembro, iremos todos comemorar o nascimento de uma pessoa muito importante. Um marco para a humanidade, uma pessoa que influenciou imensamente todos nós. Nesse dia 25 de dezembro todos nós teremos que nos lembrar do nascimento dele, que foi fundamental para a humanidade. Sim, estou falando dele mesmo, em pessoa: ISAAC NEWTON!”

Colhamos da churraqueira umas brasas das grandes, separemo-as e as deixamos ali, avivadas, prontas para voar à boca de quem vier falar da oposição entre religião (visão metafísica) e ciência. “Ah, a ciência tem uma filosofia reducionista”. Haja saco.

A “filosofia reducionista” nem existe. E a oposição entre ciência e filosofia é absurda e resulta de um equívoco gerado pelo mau emprego das palavras, essa maldição plurívoca. Se filosofia usasse matemática, duvido muito que houvesse alguém dizendo coisas como “o homem não é biologia, é história” e outras maluquices.

O como das coisas, coisas propriamente ditas (pedras e paus), não é oponível ao porque das coisas na visão humana e nem às “coisas” (situações humanas, interações humanas, desejos humanos, etc – coisas da vida, digamos) e nem às significações das coisas e “coisas” para os humanos.

A descrição da natureza nunca foi tão bem feita como pelo método científico. Alguns filósofos e o público em geral confundiram tudo, acreditando que a descrição do Big Bang contradizia o Gênesis, o que decorre do fato de não compreenderem as naturezas distintas de ambos os discursos.

Essa história de que a ciência reduza o homem a isso ou aquilo é tolice. A ciência só mostra como as coisas são, não o significado delas e nem seu papel em qualquer plano, missão, destino ou o diabo que seja. O que a ciência faz é, grosso modo, descrever uma Ferrari friamente, o que resulta num discurso que, obviamente, tira dela toda a sua história, sua mística, valor sentimental, valor social, valor estético, etc, porque impertinentes ao objetivo da análise em questão; o que não quer dizer que eles não possam ser produzidos, só não estão presentes no como ela é. Dependendo do nível de análise, não há diferença alguma entre a descrição de uma Ferrari e um Fiat 147, mas é preciso ser muito xarope para acreditar que eles sejam a mesma a coisa em qualquer contexto (a significação deles aos proprietários, por exemplo) ou que a ciência está querendo reduzir uma “Ferrari” a um 147.

Valores são subjetivos, sempre, logo, dependem de quem vê, são produzidos por quem vê. A ciência não valora, descreve. Infelizmente, as diversas visões de mundo e do mundo usam um conjunto de palavras comuns absurdamente grande, mas para designar significados diferentes. Juízo de valor, juízo de realidade, seria necessário criar uma língua para cada?