PERIPÉCIAS DE POSADAS A CÓRDOBA

Depois de passar por Asunción e as ruínas das missoes jesuítas, estávamos dentro dos planos e cm sucesso na empreitada. Após enfrentarmos um obstáculo causado pela dificuldade lingüística e cultural, estávamos na fila da aduana argentina, na ponde que liga Encarnación a Posadas, uma espécie de Ponte da Amizade bem melhorada. O coletivo nos despejou ali sob um sol de 40 graus e uma fila de centenas de pessoas. Água só com os vendedores do outro lado. Tralhas todas nas costas, enfrentamos o sol e o empurra empurra por uns 30 minutos, até que o funcionário da aduna registrasse nossa entrada e entregasse a permissão de entrada, numa operação que durou uns 40 segundos.

A fila agora era para esperar o coletivo, que nao ficava exatamente esperando, mas sumia em algum canto, enquanto outros chegavam e despejam mais gente na aduana. Depois todos os passageiros se misturavam e subiam em qualquer um que aparecesse para seguir viagem. Havia duas opções igualmente tentadoras; ficar debaixo do sol até ele voltar ou ficar sob um teto de zinco. Ficamos debaixo do zinco, numa muvuca doida. Pelo menos havia um refrigerante frio para se tomar. Frio, porque não existe nada gelado nem no Paraguai e nem na Argentina.

Veio o ônibus, subimos e o lotação máxima ultrapassada começou a rodar. Não foram precisos nem duzentos metros para percebermos a diferença entre um país e outro. Posadas é uma cidade grande, de uns 300 mil habitantes, bem arborizada, algo fundamental naquele calor, não chega a ser bonita, mas também não é feia e é bem mais limpa que Encarnación.

Depois de uns 20 minutos, descemos na rodoviária da cidade. Um terminal muito grande e lotado, com uma grande variedade de empresas de ônibus para lugares de muitos países. Quem quiser, pode ir de Curitiba ou São Paulo direto a Posadas, onde também há ruínas de missões jesuítas, pela empresa Crucero del Sur.

Gracas às informações obtidas em Asunción, descobrimos que não precisaríamos mais passar pela cidade de Resistencia e ir direto a Cordoba, o que nos economizou umas duas dezenas de reais em ônibus, mais a hospedagem e um dia inteiro.

Pesquisamos os preços em várias empresas, as quais nos pareciam estúpidas por praticarem os mesmos horários e preços. Acabamos nos decidindo pela M. Honski, que nos levaria a Cordoba às 15:00, o que nos faria esperar apenas uma hora. O diabo é que por medo do cambista paraguaio, estávamos sem pesos argentinos. Corremos atrás de uma casa de câmbio no terminal, mas não havia. Ou voltavamos até a ponte ou íamos ao centro. Virou e mexeu, encontramos uma cambista que trabalhava num restaurante. O paraguaio havia no pago 2,20 pesos por real. A gorda suada ofereceu 2,00. Como era pegar ou largar, pegamos. Compramos a passagem e fomos procurar algo para comer. A passagem custou 385 pesos, uns 160 reais no cambio normal, mas que, por causa da nosso medo do cambista paraguaio, saiu mesmo foi por R$ 192,50. A gorda sacana faturou um monte em cima do nosso preconceito com os paraguaios pobres, mas quero ver quem seria macho de sacar um maço de mil reais em notas de cem no meio da rodoviária de Encarnación.

Entramos num grande restaurante perto da plataforma de onde sairia o ônibus. As opções não são nada interessantes para brasileiros, com lanches feitos com carne prontos em exposição no balcão de vidro. Não chegava a ser nojento, estava longe disto, mas nada parecido com o visual típico das franquias e shopping centers. Encaramos um pão com bife a milanesa, uma maluquice deveras comum na Argentina. Custo: 20 pesos, 10 reais. Mata a fome e satisfaz ao paladar de um almoço cotidiano. O pão argentino é muito diferente do brasileiro, mais pesado e com uma massa muito mais saborosa, mas dificilmente agradaria ao paladar aguado do brasileiro. No vidro onde se viam os sanduíches, um adesivo nos dava o tom dos serviços na Argentina: quem sabe comer, sabe esperar. Demorou uns 15 minutos para o camarada tirar um dos sanduíches de dentro daquele vidro e nos levar à mesa. Para acompanhar, uma Pepsi fria. Não há nada gelado naquele calor desértico. Talvez porque seja impossível aos refrigeradores manter qualquer coisa gelada com aquele abre e fecha constante.

Em meio a tudo isto, o estresse era diminuído pela presença farta das chicas hermosas. Muitas chicas. Muitas hermosas. E muitas chicas muito hermosas. As argentinas conseguem usar um mini short digno de uma funkeira e ainda assim serem elegantes, o que pode ser explicado pela qualidade do corte, do tecido, do caimento ou, provavelmente, por uma simples questão de estirpe e altivez que a cambada rebolativa brasileira nem sabe o que seja. Não tem jeito, minha filha, a beleza não está nem no pano e nem na moda, está na pessoa.

Enquanto esperávamos o ônibus, notamos que uma senhora de uns 80 anos que veio conosco no coletivo de Encarnacion esperava por ali, mas não dava para ter certeza de que pegaria o mesmo ônibus que nós porque na passagem vem escrito: plat – 10 a 20. Espera-se num ponto médio e presta-se atenção no anúncio indicado no bilhete, no nosso caso Córdoba.

O ônibus atrasou uns 15 minutos porque vinha de outra localidade, possivelmente Wanda ou Iguazu. O curioso é que era de outra empresa, o que explica porque tantos guichês diferentes ofereciam o mesmo horário: as empresas vendem passagens umas das outras, uma prática que é deveras saudável para elas e para os passageiros. Era a Crucero Del Norte, uma grande empresa argentina que, conforme vimos na TV interna, tinha hotéis, resorts e praticamente tudo ligado a turismo.
Era um veículo de respeito, dois andares, novo e com mais espaço entre poltronas que jamais se vê em aviões, o que faria uma enorme diferença numa viagem prevista para 15 horas.

O ônibus começou a viagem por uma paisagem um pouco parecida com a do Paraguai, com árvores baixas e secas, esparsas num terreno plano. Logo ela se transforma num pato sem fim, com uma ou outra ilha de árvores de algum porte e por mais que se force a vista não há um morro sequer em lugar algum. A estrada é pista simples, mas bem pavimentada e com acostamento. E é uma reta só e uma monotonia só, coisa de fazer a rodovia Castelo Branco parecer uma montanha russa. Algumas horas depois, começam a surgir pequenos charcos e uma ou outra lagoa. As casas são mais novas que as que se vê na estrada Paraguaia e há mais sinas de intervenção humana, como a construção de açudes e canais para escoamento da água. A monotonia não acaba nunca. Ou quase.

A primeira parada foi na cidade de Corrientes, uma cidade grande que lembra cidades grandes brasileiras em muitos aspectos. Tem uns 300 mil habitantes, mas é mais imponente e bonita que Posadas, com maior presença de comercio e pequenas industrias. A rodoviária é grande, feia e lotada. Esses argentinos devem adorar viajar. Como chegamos ali por volta de 8 da noite, sem parada alguma, bateu uma certa Fome. Desci e não achei nada que fosse rapidamente, então comprei uns afajores, aquele pão de mel metido a besta.

Umas duas horas depois, chegamos a Resistencia. Uma cidade menor, mas com uma rodoviária igualmente feia e lotada. Na saída da cidade, o ônibus parou na garagem para sei lá o que. Havia uma pequena lanchonete na qual só havia bolachas. Fica-se ali uns 20 minutos.
Lá pela meia noite vem uma bela surpresa: há jantar oferecido pela empresa. Primeiro entregam uma bandeja com um pão, queijo, presunto, um bolinho e um pudim. Logo vem uma marmitinha dentro da qual há arroz e um hambúrguer. Nada extraordinário, mas de aspecto e sabor decentes.

A madrugada avança pela enorme reta a nossa frente. Quando o sol dá sinal de vida, começam surgir maiores sinais de civilização ocidental, ou seja, comercio e indústria. O ônibus atravessa algumas cidades médias, parando vez ou outra em rodoviárias feias, sujas e lotadas, nas quais sempre há chicas para refrescar os olhos. A paisagem continua feita de pampas sem fim, mas agora bem salpicados de barracões, pequenas indústrias, pequenos bairros e coisas que indicam que a Argentina talvez não esteja tão mal quanto dizem os noticiários. Não se vê pobreza extrema em nenhum ponto dessa enorme viagem.

Por volta de 06:00 uma placa avisa: Córdoba – 225 Km. 20 minutos depois avistamos um enorme totem de cimento em que se lê: Córdoba. Mas nada da cidade. Por volta de 08: 15 uma placa avisa: Córdoba – 43 km. Por volta de 08:30, outra placa avisa: Córdoba – 45 Km. Córdoba é a província e a capital desta província, como Sao Paulo – Sao Paulo.

Lá pelas 09:00 entramos numa grande cidade, com vias rápidas e movimentas e prsenca forte de comercio, indústrias e serviços. Esse negócio de crise parece mesmo ser uma obsessão de jornalistas que nunca pegaram no cabo da enxada, o povo que trabalha, seja no Brasil, seja no Paraguai, seja na Argentina parece viver num mundo bem diferente dos economistas de jornais. Esquisitices à parte, chegamos em Córdoba por volta de 09:30, numa rodoviária enorme, relativamente nova,mas ainda feia, suja e lotada.

Andamos um pouco e encontramos um posto de informações turísticas, no qual havia uma chica muy hermosa e uma mais feiosa. Turista tem sorte,mas não abusa, foi a feia que nos atendeu. Informou onde havia um cíber no terminal e que não havia cambio ali, apenas no centro. Na lan, confirmamos endereço do hostel e que havia vagas, o que era necessário porque não tínhamos reserva alguma. Bateu uma sede que deu no pé rapidinho quando veio a informação de que uma garrafa de água de 300 ml custava 11 pesos, 5 reais.

Descemos dois andares para voltarmos ao ponto de informações. Dessa vez havia uma terceira chica, mais hermosa ainda. Fomos atendido muito bem por ela, que nos mostrou como chegar ao hostel a pé mesmo e ainda forneceu uma lista com outros 350, com endereço, telefone e site. Também nos deu um pequeno mapa da cidade. Gracias.
Andamos umas 10 quadras pelo centro novo de Córdoba (o velho é o histórico e turísitico), em meio a avenidas largas, movimentadas e muito arborizadas. O calor era de uns 35 graus e o ar seco de fazer o de Brasília parecer uma toalha molhada. Tralhas todas nas costas, seguimos.

O hostel localiza-se na rua Ituzaingó, repleta de bares, restaurantes e pequenos comércios. A entrada é bela e o interior é convidativo, mas como o preço informado pela recepcionista era mais do que o constava do site hostelbookers, decidimos dar uma volta e ir a outro. Não agradou e voltamos lá. Pedimos um desconto e ela nos fez o preço de membro de um clube qualquer de hostels. 62 pesos, 29 reais. Sem café, o que é incomum. Subimos e entramos num quarto com 3 beliches, que se ligava por um vão a outro no qual haviam mais 4 beliches. Conversamos 20 segundos quando fomos interpelados de longe por alguém num beliche desse outro quarto. Falava com o indefectível sotaque que parece o tempo todo dizer: oxente. Era um sergipano doido que estava dando um role pela América do Sul, mais ou menos como nós. Já tinha ido ao Uruguai, passado por Buenos Aires e tinha chegado ali no dia anterior.

Tomamos banho e tudo mais e fomos usar a internet do hostel. Havia dois computadores, mas só um ligava. Ligava mas funciona mal e a conexão era péssima talvez nem pelo provedor, mas pela própria máquina ruim mesmo.

No geral, essa viagem de Posadas a Córdoba mostrou uma Argentina bela e com vontade de ser grande.

E se há algo que se deve dizer de Córdoba é: chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas, chicas….

No hostel acabamos conhecendo também um equatoriano que já tinha morado em Aracaju, mas não conhecia o nosso compatriota, e que agora estava dando uma volta por Chile, Argentina, Brasil e Bolívia. De Bike. Combinamos os quatro de tomarmos uma na noite de Córdoba. E fomos, o que seria uma viagem à parte.

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One Response to PERIPÉCIAS DE POSADAS A CÓRDOBA

  1. Neilson disse:

    …Gostei da parte do “Sergipano doido” kkkkkkkkkkkkkkkkk, foram bons demais os r{oles que fizemos por Cordoba e por Mendoza, so ta faltando eu ver voces aqui em Santiago…o que parece estar um pouco dificil..ja que voces nao acertam o lugar onde estou!! kkkkkkkkkkk

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