Estranheza

11 dezembro, 2008

A BBC noticia que uma americana nascida sem braços obteve brevê para piloto de avião esportivo. Alguém poderia ter perguntado o que ela acha de cotas raciais e outras mendicâncias governamentais oferecidas a gente totalmente capaz.

Abaixo, a notícia na íntegra:

“Americana é a 1ª pessoa sem braços a receber brevê de piloto
Nascida sem braços, Jessica Cox se adaptou para usar os pés para tarefas do dia-a-dia.
Da BBC
Jessica Cox Motivational Services – rightfooted.com
A norte-americana Jessica Cox. (Foto: Jessica Cox Motivational Services – rightfooted.com)
Nascida sem os braços por conta de um defeito genético, a americana Jessica Cox vem ganhando popularidade nos Estados Unidos como exemplo de superação ao se tornar a primeira pessoa a dirigir um avião somente com os pés e conseguir uma licença de piloto de avião esportivo.
Aos 25 anos e formada em psicologia, Jessica trabalha com palestras motivacionais, nas quais sua história é contada como forma de incentivar a superação de obstáculos.
A aparente limitação física não a impede de levar uma vida normal. Desde a infância, Jessica aprendeu a usar os pés para realizar tarefas do dia-a-dia como escovar o cabelo, usar o computador, colocar lentes de contato, preparar uma refeição ou falar ao telefone.
Jessica também aprendeu a dirigir usando os pés e conseguiu uma carteira de motorista sem restrições, usando um carro comum, sem adaptações.
Ela diz não ver limites pessoais e nunca pensar “não posso”. “Eu somente digo ‘Ainda não consegui'”, afirma.
Segundo Jessica, essa lista de coisas ‘a conseguir’ inclui, entre outras coisas, uma escalada de montanha e fazer um rabo-de-cavalo. “Sempre tenho problemas com aqueles elásticos de cabelo”, comenta.
“Nasci assim, então somente aprendi a me adaptar”, conta.
Entre as conquistas de Jessica está uma faixa-preta de Tae Kwon-Do. Ela diz, porém, que seu maior triunfo na vida vai além de seus feitos físicos.
Para ela, seu maior feito é sua auto-estima e seu grau de auto-aceitação, que dá a ela “liberdade e poder para insistir que a sociedade me aceite como sou”.
“Quando eu nasci, meus pais ficaram chocados, mas nunca deixaram que eu me sentisse diferente. Outras pessoas sempre me olharam e fizeram comentários, mas eu consegui transformar os sentidos negativos em algo positivo.”
Para conseguir realizar o feito de pilotar sozinha um avião, Jessica teve que superar, além da limitação física, seu medo de voar.
Até que, há três anos, ela teve a oportunidade de dirigir um avião pela primeira vez, acompanhada de um instrutor ligado à organização não-governamental Wright Flight, que promove programas motivacionais com base na aviação.
Após três anos e 89 horas de pilotagem em uma aeronave Ercoupe, que exige um controle somente com as duas mãos – ou os dois pés, no caso de Jessica -, ela finalmente conseguiu sua licença de piloto em outubro deste ano.
Em suas palestras, Jessica procura mostrar às outras pessoas que a auto-confiança é a principal arma para superar as adversidades.
“Muitas pessoas ditas normais sofrem de uma deficiência verdadeira – uma falta de confiança em si mesmos. Espero que minha história os ajude a atingir todo o seu potencial”, afirma.
“Quero que as outras pessoas digam: ‘Se ela pode fazer tanta coisa sem os braços, eu posso fazer muito mais com minha vida’.”

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As cobras andam a roubar asas

8 dezembro, 2008

Deus não dá asas para cobras, era o que pensava ao sair da loja de aquários, ao ver aquele bisonho camarada, horrível até, peitar o dono marombado. Não se intimidar e não ficar se escondendo atrás de direitos disso ou daquilo, só fazendo valer o direito de exigir que se cumpra o prometido, nada mais. E na hora do vamos ver, foi visto. “Se fosse um sujeito normal, eu pagava uma cerveja fácil, fácil”.

 

Franziu a testa e em seguida chacoalhou a cabeça, tentando afastar a imagem que lhe viera de súbito, a de seu ex-namorado, um desses erros inexplicáveis que se nos acometem vez ou outra. Era advogado, mestre em algo sem pé e nem cabeça, procurando um doutorado ainda mais infame, assuntos totalmente desvinculados do que ele mesmo vivia em seu dia a dia. “Como se uma merda de título pudesse mesmo tirá-lo da mediocridade…”. A coisa durara pouco, embora até fosse muito se se considera que nem deveria ter começado como era a opinião geral dos mais chegados. Ao menos terminou com estilo: sabendo que o moleque bebum havia se engraçado com uma conhecida sua numa festa qualquer, foi até a faculdade onde dava aula, esperou-o sair, dirigiu-se seca até ele e meteu-lhe um tremendo upper de esquerda: “esse é por ter mexido com minha amiga”, seguido de outro: “esse é por ser burro e não se tocar que eu sempre vou poder arrumar coisa melhor que você, mas você jamais vai arranjar nada nem parecido comigo”, enquanto o imbecil tentava se levantar, ela catou seu notebook e o arremessou dentro duma fonte. E a besta que o tempo todo tentava se impor a todos sacando sua condição de advogado, não lhe mandou sequer uma singela notificação, nada de nada, nem uma mirabolante ação de reparação de danos morais ou o diabo que fosse, nada. Ali, já fazia treze dias, dum total de quinze, que estava incomodada, como se estivesse calçando um sapato dois números menor e ainda por cima sem combinar com nada que usasse.

 

Deve ter doído, nele. Era alta, esbelta, mas forte, Braços longos, um movimento rápido deles certamente colocaria bastante força nos punhos.

 

– Conhecer gente diferente a puta que pariu…disse à amiga no dia seguinte ao show, num happy hour.

 

– Gente diferente, foi isso que eu disse quando te convidei, gente, você se meteu com um advogado…

 

– A merda da cachaça…

 

– Tá, foi ela que enfiou tua língua na garganta dele…

 

“De certo modo”, mas a outra apresentara um ponto definitivo, sem dúvida: de todo modo fora sua escolha, ou escolhas. E também as omissões. Um pouco de inconseqüência. E mais toda a merda que normalmente acontece com uma mulher emputecida com a vida em geral e com alguém em particular numa festa com muita bebida e sem conhecidos por perto. “Eu lá tenho culpa por gostar de pinto, merda?”

 

 

 

 


As cobras andam a roubar asas – parte 2

8 dezembro, 2008

Fosse como fosse, a coisa agora era passado. O que a colocava no exato ponto de antes: emputecida com a vida em geral e com alguém em particular, só que agora sem festa e sem bebida. “La nave va, ou algo do gênero…”.

 

Chegando ao belíssimo escritório, mais problemas: o estagiário acabara de desmaiar por ter tomado um choque ao ligar o computador na tomada. Pior, jogou a caneca cheia de leite de soja para o alto, atingindo na queda todo um trabalho recém-finalizado. “Puta que pariu, por que diabos eu não fiz engenharia?”

 

– Que beleza, desmaiou de susto, imagina se fosse uma barata…Suponho que já tenham chamado a ambulância…

 

– Hã..bom, a gente – a sua sócia tentava explicar o inexplicável, mas ela não estava muito a fim de perder tempo com urbanidades ou seu inverso. Ignorou a todos e ligou ela mesma para o serviço médico que lhe parecera sempre um excesso de zelo.

 

– Feito, Agora alguém ligue para os pais dele e informem o hospital pra onde ele vai.

 

– Acho que ele não mora com os pais – disse o outro estagiário. “Claro que não, desde quando gays moram com os pais?”

 

– Se for preciso, entrem no Datena ao vivo, mas informem quem quer que seja que o pobre coitado foi parar no hospital. Mas…ninguém ainda tentou re-imprimir o troço?

 

– É que o computador queimou com o curto…

 

– Não tem problema, vamos refazer à mão.

 

Demorou até que alguém tornasse a fechar a boca para daí dizer algo.

 

– À mão? Como?

 

– Lisa, você ta doida?

 

– Como vocês acham que era feito antigamente? Vamos lá meu povo, as instruções tão anotadas na tua agenda, Free. – Era um apelido que só soltava em particular com a amiga, tinha a ver com o fato de a sócia, num passado não muito distante, ter extrapolado os limites do razoável em comilanças de ansiedade, menção maldosa à baleia da Disney. Na real, como ela conseguira emagrecer mais de quinze quilos em menos de seis meses, até era um elogio, mas a referência ao passado trágico era sempre coisa pesada. Não havia necessidade de refazer à mão, mas queria ver quanto tempo demoraria para eles descobrirem onde estava salvo o outro arquivo.

 

– Lisa! – A amiga soltou um agudo de dar inveja em qualquer soprano.

 

 

 


As cobras andam a roubar asas – parte 3

8 dezembro, 2008

– Cadê a Dona Kátia?

 

– Lisa! – Outro agudo. A repreensão agora era ao fato de que Kátia, no caso, era a faxineira, diarista, que se chamava Catiussia e, como voltava e meia chegava cheirando a bebida, fora apelidada pelas empregadoras de Katiáça. – Se ela ouve…

 

– Até onde eu sei, é o nome dela. Cadê?

 

– Foi buscar um pouco de sal por aí, no prédio…

 

– Quando ela chegar peça para ela jogar fora. Pressão alta e pressão baixa possuem sintomas em comum, ela vai acabar matando o infeliz. E peça também para ela me procurar, preciso mostrar uma coisinha.

 

Não era exatamente fã desse seu tom professoral, mas com aquelas pessoas sempre se via obrigada a agir assim. Gente inteligente e capaz até, mas que parecia simplesmente ter acabado de entrar na adolescência, sem maiores perspectivas de sair. “Deve ser um desses saltos evolutivos, agora a adolescência humana vai dos onze aos quarenta e cinco…”.

 

Foi se dirigindo à sua sala, a única do escritório aliás, porque a sócia achava mais negócio “estar integrada” ao resto. De seu lado, preferia jamais discutir valores na frente de estagiários e office-boys. Sem falar nas ligações pessoais. Bom, até aí, o povo todo as recebia e falava normalmente. Teve até uma estagiária que discutia o problema hereditário de hemorróidas com a mãe. Fora o viadinho desmaiado que adorava elogiar seus milhares de parceiros, fazendo menção explícita à anotomia dos mesmos o tempo todo, sempre em tom elogioso, o que a fez suspeitar que ele ou conhecera uma turma de atores pornô ou mentia descaradamente para se engrandecer no escritório. “Como se ser biscate fosse exatamente uma vantagem…”.

 

– Mas você vai deixar o coitado aí? Lisa! – Novo agudo.

 

– Mestra, meu diploma não é de medicina e quem tem descendência indígena aqui é você. – Mestra era outro apelido da sócia, conhecido dos demais, mas que também fazia referência a estranhos hábitos do passado, que em verdade nunca sumiram, apenas amainaram por esses dias. Eles tinham uma noção do que queria dizer, mas nem sonhavam com a intensidade. Se tratava da sua incomparável capacidade de conseguir novos homens em qualquer lugar, em minutos, fosse qual fosse a ocasião, de velórios a casamentos. Aliás, ela tinha no currículo três noivos nos dias dos seus casamentos.

 

– Mas você tá uma égua hoje, hein?

 

Não respondeu, tomou seu rumo. Relinchando.

 

– Grossa – soltou baixinho o outro estagiário. Mas ela ouvira e só se incomodava com o fato de os estagiários serem todos gays. Inclusive as mulheres. “Por que não casam entre si? Ele faz papel dela e ela dele, uns implantes, umas cirurgias deixariam tudo melhor ainda…”.

 

 


As cobras andam a roubar asas – parte 4

8 dezembro, 2008

Entrou na sua sala, à la 24 horas, com apenas uma parede de alvenaria, a da janela da rua, as outras três eram de vidro, jateados em desenhos modernosos, mas elegantes, com personalidade. Era uma pequena ilha no meio de todo o escritório. Como não economizara, a espessura lhe garantia alguma privacidade. Colocara no perímetro alguns balcões e bancadas, de modo que as outras mesas ficavam bem longe, tornando bem difícil ser bisbilhotada sem ser notada. Sobre o espaço de sua mesa e cadeiras havia suspenso um gigantesco vidro retangular, absurdamente grosso, o que dava um toque ao mesmo tempo atual e imponente ao seu espaço.

 

Abriu seu notebook, começou a ver e-mails e entrou nuns sites para ver preços de materiais que talvez viesse a usar numa obra. Alguns minutos após, a diarista entrou.

 

– Oi, a Fernanda me disse que você queria falar comigo. – A falta de pronomes de tratamento era provavelmente a única coisa que apreciava naquela cidadã. Sendo mais nova, seria ridículo ser chamada de senhora.

 

Levantou-se, deu a volta à mesa, puxou as cadeiras dos clientes.

 

– Ó. – Mostrou a poeira nas mesmas. – Desde a semana retrasada…

 

– Virge, mas não sentou ninguém aqui esse tempo todo?

 

Preferiu ignorar a insolência, não via razão para dar explicação a respeito do seu modo de trabalho, ficava mais tempo fora, procurando novos clientes e atendendo aos velhos. Por vezes passava dias seguidos sem aparecer ali. E raramente atendia, sempre ia até o cliente, para deixá-lo mais confortável e ver in loco o que lhe aguardava.

 

– Mas hoje vem.

 

– É só passar um paninho, é fácil, vou ali terminar a cozinha e já volto.

 

Ficou curiosa em saber como era possível que ela não entendesse a extensão da crítica que lhe dirigia. Se as cadeiras estavam empoeiradas, móveis tão visíveis, obviamente haveria muito mais sujeira pelos cantos. Agüentou pacientemente e continuou:

 

– Certo. Aí também precisa colocar um pouco de água no vaso grande do lado da janela.

 

– Ah, é mesmo, tadinha da planta, precisa aguar todo dia, sabia?

 

Não era preciso, mas isso não deveria fazer diferença para a serviçal.

 

 

 


As cobras andam a roubar asas – parte 5

8 dezembro, 2008

– E também precisa lavar o lixinho.

 

– Mas é só papel que vai aí, não é? Não tem nada que suja mesmo…

 

– É preciso dessa vez. – Foi o máximo que conseguiu dizer.

 

– Bom, tá certo, mas então eu vou ter que deixar o resto da cozinha para a outra vez. É que eu combinei com a Fernanda de ir mais cedo hoje, meio corrido, preciso ir no postinho, ver se é verdade que eu tô esperando…

 

– Nossa, mas outro dia mesmo você teve um…

 

– Faz uns meses já, uns quatro acho…

 

– Teu marido não brinca em serviço.

 

– Ah, é outro. Aquele lá era um traste, acredita que o vagabundo quis sair com minha filha? E a desgraçada quase que foi?

 

– Sua filha mais velha? Ele era padrasto?

 

– Se era…

 

– Quantos anos ela tem?

 

– Dezesseis. Quando eu fiquei sabendo, dei uma coça nela, bati, mas bati com gosto, eu não fico correndo atrás dos homens dela, ela que respeite os meus, ainda mais dentro da minha casa. Dava cada tapa que a cara dela virava dum lado pro outro, desci o cacete mesmo, pisei no pescoço, quase sufoquei a piranha, não fosse a vizinha… – Ficou imaginando a cena, oitenta e tantos quilos em cima duma adolescente.

 

– E agora tá de namorado novo?

 

– É…bão, num é bem um namorado, é um rolo desses aí, esses que a gente vai levando meio na breca…

 

– Um ficante.

 

– É, um troço assim.

 

– E ele já sabe?

 

– O que?

 

– Que ele vai ser pai?

 

– Ah, sabe nada, ainda não posso contar, tem que ter certeza das coisas, né? Depois é que vou ver se é dele. Hoje eu vô fazê o exame pra ter certeza, depois eu conto. Deve ser dele sim…nossa, tô morrendo de felicidade. Esse tá vindo bem na hora.

 

– Bem na hora?

 

– É, nossa, nem fale, com mais esse, a bolsa do governo vai aumentá o tanto certo pra prestação dum outro som, que o lá de casa tá meio caidinho, era bom, mas já deu o que tinha que dar, carrega pra lá, carrega pra cá, festa na casa de um, pagode na casa do outro, não tem o que guente esse tranco não…Dependendo do caso, de repente até consigo uma pensão do pai e ainda compro umas roupas, acho que dá tempo de correr o processo até o fim de ano, quero ver se vou pra praia de novo, coisa boa, meu Deus…

 

– Bom, felicidades. Espero que corra tudo bem pra você e teu novo filho.

 

Já era o quinto, não sabia idades e sexos, mas sabia que era o quinto. E ela tinha trinta e dois anos. Foi até a cozinha e viu o chão do mesmo jeito de ontem, só havia lavado a louça e guardado o pote de requeijão que os estagiários vivam esquecendo para fora, Abriu a geladeira e lá estava ele, mofado, por pousar a noite fora, no calor. Era o último dos três que trouxera na última compra. Os desmiolados não eram duros ou sovinas, eram só incapazes de organizar uma vaquinha para essas pequenas coisas, razão pela qual, para atender a seus próprios interesses também, sempre fazia essas compras. Pegou-o e jogou-o na lata do lixo, momento em que a sócia entrou.

 

– Quando sair, não esquece de comprar outro, o povo aqui adora requeijão light.

 

“Mas vai tá errada assim lá na casa do caralho…tem um monte de cobra voando por aí”. Voltou para sua sala, trabalhou até de madrugada e ficou quatro dias sem aparecer no escritório.

 

 

 


Se a moda pega por aqui, “elas” vão a-do-rar!

4 dezembro, 2008

Já dizia, ou disse, nunca entendi muito bem o causo, o velho Millor que esse negócio de homossexualismo antigamente era proibido, daí passou a ser tolerado e então permitido e que o negócio é dar no pé antes que se torne obrigatório. Pois é, muitos ingleses concordam com nosso velhote ranzinza, especialmente agora que a polícia decidiu distribuir nos bares de Bolton, adivinha só, sopradores de bolhas de sabão. Em Manchester já se distribuem pirulitos e em Devon a mulherada que ainda usa salto alto ganha um chinelo de dedos na saída da gandaia para evitar que se machuquem.

 

Um dos chefões disse que a idéia é dar um clima mais leve para a cidade, evitando assim brigas e coisa e tal. Outro disse que os pirulitos são para silenciar o povo barulhento, mantendo suas bocas ocupadas.

 

Se aparecer um gênio para juntar tudo ficará tão fofinho ver alguém saindo dos bares: chupando pirulito, soprando bolhas de sabão, de chinelo de dedos. E bêbado.

 

Porra, antigamente um bar, um pup, era um lugar em que o cara ia ver um jogo de futebol, cuspir no chão, falar claramente dos atributos femininos sem rodeios, coçar o saco, cantar a garçonete, enfim…aí vem a polícia e começa a obrigar ao inverso. Depois que a gente fala que o ativismo gay quer fazer do mundo uma grande festa, nêgo começa a falar em preconceito e o escambau. A merda é que a gente nem pode mandar essa cambada tomar no cu porque eles iriam a-do-rar!

 

E nesse espírito veio um amigo responder: já que é assim, eu acho que tinha é que encher a rua de prostitutas. Puta merda, é isso mesmo, se é para manter o cara com a boca ocupada, que seja numa atividade de macho, caramba. Quem é que vai perder tempo brigando ao invés de se entreter com uma dona expert e experiente? Só mesmo os viados…mas aí, claro, esses ficariam com escassez de matéria prima para sonharem no fim da noite.

 

Nesse rolo todo, a única coisa bacana foi a reação do presidente da Taxpay Alliance. Ele disse que o povo quer ver a polícia combatendo o crime e não distribuindo brinquedos de creche. E foi além: “se esse dinheiro não era necessário [para a polícia ser polícia], deveria ser devolvido para o contribuinte”. Fosse aqui, as pestes acadêmicas, os pilotos de prancheta, diriam que o dinheiro “estaria sendo mais bem usado em prol da população numa grande campanha de conscientização de que brigas não são uma coisa boa”.

 

Sendo assim, diga-nos, sêo Millor: fugir pra onde?

 

P.S.: Vão chupar um pirulito de malagueta antes de me atazanarem com blá-blá-blá sobre liberdade sexual, preconceito e outras pataquadas. O problema não é com quem gosta de dar a bunda, é com quem quer fazer imperar a viadagem. Adaptando Don Corleone: o modo como um homem ganha prazer não é problema meu, se ele paga suas contas e dá o melhor para sua família e não incomoda ninguém, ele tem o meu respeito. Se ainda não entenderam, chupem outro pirulito e durmam com essa: ser politicamente correto é trocar a verdade pelo aplauso da maioria.