HOMOPRIVILÉGIOS


Quando moleques, alguns sempre abusaram do fato de terem irmãos mais fortes. Qualquer coisa acontecida e mais cedo ou mais tarde vinha a frase inevitável: “você vai ver só, vou chamar meu irmão”. Qualquer trombada ou canelada no joguinho de bola no asfalto e pimba: “você vai ver só, vou chamar meu irmão”. Neguinho começa a rapelar as figurinhas no bafo e poff: “você vai ver só, vou chamar meu irmão”. Tiro e queda, lá vinha a frase a qualquer encrenca. Tempo passa, tempo voa, mas alguns não cresceram e continuam dizendo: “você vai ver só, vou chamar meu irmão”. E quem são esses? Bem, nada de generalizar, mas, basicamente são os ativistas das tais minorias, os quais preferem chamar o irmãos mais forte do que resolver a coisa por si mesmos, nem que seja pegando um pedaço de pau. É lei que privilegia negros, privilegia deficientes físicos e agora vem uma aí que privilegia os homossexuais. E o problema nunca teve nada a ver com os direitos desses cidadãos, que são exatamente os mesmos de quaisquer cidadãos, são os privilégios, os quais eles insistem em dizer que são só direitos, embora os demais não os tenham.

Por exemplo, se você ofender Sílvio Santos, poderá responder, conforme o caso, por um desses 3 crimes: difamação, injúria ou calúnia. Poderá também, conforme o caso, ser condenado a uma reparação civil, ou seja, em dinheiro. Isso vale para ele, para o Celso Portioli, para a Eliana, para o Luciano Huck, para um monte de gente. Mas não para, digamos, Glória Maria. Não, caso alguém a ofenda, poderá responder por mais um tipo de crime além daqueles três: racismo. Então, ficou assim: ofensas à loira Angélica podem gerar uma indenização e há três expressões legais para enquadrar como crime, mas com Glória Maria existem quatro expressões legais, aumentando o leque de proteção. E ainda com aumento de pena. Sacaram o lance? Glória Maria tem uma lei a mais para protegê-la, uma lei que Angélica não tem.

Agora corre no Congresso o malfadado PL 122/06, que prevê o crime de homofobia. Ou seja, em termos vulgares, Angélica terá uma lei para punir criminalmente alguém que a ofenda, mas Glória Maria terá duas e, digamos, o Leão Lobo também. Isso é privilégio, não direito. Um direito que só alguns têm é privilégio. O Código Penal está aí para defender a honra de todos, inclusive dos negros e homossexuais, mas os negros têm uma lei a mais para isso.

Pior. Se, deixemos a Angélica em paz, a Xuxa vai a um restaurante e não a deixam entrar, que crime cometeu o dono do restaurante? Nenhum. Mas se ele fizer isso com a Glória Maria, terá cometido um crime, previsto no artigo 8º da lei 7716/89. A Xuxa poderá ajuizar uma ação para reparação de danos morais porque o Código de Defesa do Consumidor diz que o fornecedor não pode recusar atender a demanda de consumidor que se disponha a pagar o preço. Só. Mas a Glória Maria, bem, ela ainda pode colocar o cara em cana. Se isto não é um privilégio, que seria?

Digamos que a Mara Maravilha vá até o tal restaurante. O dono diz que não atende evangélicos. Ele cometeu um crime, previsto no mesmo artigo 8º da lei 7716/89. Mas isto não é um privilégio, porque o mesmo artigo protege católicos, macumbeiros e até ateus. Estão todos protegidos ali no conceito de liberdade religiosa, todos.

E com o PL 122/06, se o dono do restaurante impedir a entrada de, digamos, Thammy Miranda, a filha da Gretchen, ele também poderá ir para a cadeia. Se ele barra a Xuxa, a Angélica e a Eliana, corre o risco de pagar uma indenização. Mas se barra a Glória Maria ou a Thammy Miranda, corre o risco de pagar a indenização e ir pra cadeia. Isso é privilégio.

Mas não fica nisso. O pior é o dispositivo que prevê punição para quem promover constrangimento moral, filosófico ou psicológico. Nem tentem, é simplesmente impossível obter uma delimitação objetiva para isto. Basicamente, será crime o que o sensivelzinho disser que é, pois basta que ele diga que se sentiu constrangido, ainda que o pastor, padre ou macumbeiro só tenha lido em voz alta alguma passagem de qualquer livro religioso que critique a opção homossexual.

Ora, se a bicharada não quer ouvir esse tipo de coisa, basta que fiquem longe de igrejas, pessoas e programas religiosas, ora. E se mesmo assim ouvirem, respondam na lata: “vai se foder, a bunda é minha e faço o que quiser com ela”. Ou dêem, ops, de ombros e sigam a vida. Ora, se um Padre diz a um freqüentador contumaz de prostíbulos: “a bíblia diz que você vai pro inferno”, não cometeu crime algum. Mas se disser o mesmo a um gay, será crime. As religiões condenam, em termos estritamente filosóficos, uma miríade de condutas e opções humanas. Mas só os gays poderão silenciar padres, pastores, pais de santo e professores. Até mesmo um estóico acabará na cadeia se uma biba desvairada inventar que ficou ofendida e se sentiu constrangida com suas afirmações contra os excessos de atividade sexual libertina.

Isso é uma maluquice sem tamanho. Mas o pior mesmo é que a esquerda se recusa a discutir a coisa em termos claros. De modo algum, se alguém começa a criticar essa doideira, eles já tascam a pecha de homofobia. Desviam insistentemente o debate do desvario da lei para a validade ou não da opção homossexual. Como quase ninguém vai contra esta opção em si, muita gente se vê em dificuldades de argumentar. A esquerda se nega a debater apenas aquilo que interessa: os privilégios que a lei cria, suas inconstitucionalidades e ataques à liberdade de expressão e de credo. É uma lei, que, além disso e como tantas outras dos tempos modernos, infantiliza os homens, que vão paulatinamente cessando de se defender e de procurar meios de convivência, para cada vez mais chamar o Estado, ou seja, o irmão mais forte.

Então, que ninguém caia nesse truque sujo, ser contra o PL 122/06 não leva ninguém a ser contra a liberdade sexual. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Os direitos dos cidadãos são os direitos dos cidadãos, quaisquer que sejam seus credos, opções sexuais e cor de pele ou origem.

Já há leis várias que protegem todos os cidadãos e não existe razão nenhuma para se criar leis só para esse ou aquele grupo, para essa ou aquela categoria de pessoas. Isso é elitismo. Injúria e lesão corporal, por exemplo, são formas penais que protegem a honra e a integridade física de todos. Todos quer dizer todos e, portanto, inclui negros e gays, por óbvio. Não existe nenhuma razão para que estes ou outros grupos recebam um tratamento diferenciado, privilegiado, não em se tratando de seres humanos adultos e de inteligência mediana.

As pessoas precisam aprender a conviver com as diferenças, não impor as suas aos demais. Ao invés de tentarem impedir que lhes sejam dirigidas críticas, gays deveriam conviver com elas, como já convivem os ateus, os próprios religiosos, artistas e, bem, todo mundo convive com críticas rotineiramente. Se um funkeiro passa em frente a um show de rock, pode ser que sofra pilérias e se um roqueiro passar em frente a um baile funk, pode ser que as sofra também. Ora, ignora e vai embora. Se houver excessos, o Código Penal o protegerá, como a qualquer outro. Toda escolha humana é passível de críticas e convém aprender a ouvi-las, inclusive para se certificar de foi mesmo a melhor escolha. Impedir que haja críticas é fechar o acesso a outras possibilidades, é limitar cada vez mais o leque disponível de ações e posicionamento moral e prático.

Gritam os gays que os religiosos estão impondo suas crenças. Ora, só quem pode impor algo a alguém é o Estado. O máximo que um religioso pode fazer é emitir uma opinião. Ouve-se e, querendo, responde-se e segue a estrada. Que imposição é essa que consiste em só uma singela opinião?

É muito fácil ser favorável a restrições impostas aos demais, se elas nos favorecem. O que os gays e negros esquecem é que se aceitarmos que o Estado crie certas proteções especiais a eles, terão de agüentar que amanhã ou depois sejam criadas proteções especiais a favor de outros grupos e, portanto, contra eles, não na condição de gays e negros, mas em outras condições, digamos, a de terem nascido em certa região do país. Imagine-se que o Estado, a pretexto de corrigir distorções históricas, crie cotas nas universidades para nordestinos. Ora, isto poderá tirar muitos deles das universidades. E aí, como fica? Permitir que o Estado feche um livro para proteger um gay é permitir que ele feche qualquer livro. Digamos, Oscar Wilde.

O que ninguém parece se tocar é que às vezes o irmão mais velho te põe pra dentro de casa mais cedo. Melhor aprender a se virar sozinho, não? Claro, convivência é difícil. Mas é difícil para todos. Todos temos que suportar o peso de nossas escolhas e condições. Todos.

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One Response to HOMOPRIVILÉGIOS

  1. Cláudio Luís disse:

    Criação de cotas(gerador do ódio racial e da intolerância que culminam no apartheid) para negros e de leis especifícas contra homofobia como esta PL 122, são execrecências juridicas cujo objetivo único é beneficiar e criar privilégios para grupos sociais, ditos “minorias”, em detrimento da imensa maioria da população brasileira.

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