JORNAL DOS METALÚRGICOS DISTORCE A PRÓPRIA FONTE PARA FAZER CAMPANHA DE DILMA


Na guerra vale tudo e normalmente a primeira que vai pro brejo é a verdade. Os petistas e esquerdista mais empedernidos acham que eleição é guerra e adotaram abertamente “se não está conosco, está contra nós”, divulgada como “eles contra o resto”, “o sul rico contra o resto pobre” e outras tolices panfletárias. Dando mais um tiro barulhento, o jornal “Tribuna Metalúrgica”, do sindicato dos metalúrgicos do ABC paulista, tasca na capa da sua edição 2910, de 16/10/2010, que Serra votou contra vários direitos trabalhistas na constituinte de 1988. Só esqueceu de dizer que quem se colocou contra todos, notem bem, contra todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição federal foi o PT. Sim, o PT se colocou contra todos os direitos trabalhistas pois se recusou a assinar a Constituição Federal de 1988.


A matéria (http://www.smabc.org.br/interag/tribuna_pdf/{7E50D13E-3B4A-4EA5-84ED-73067EE12105}_2910.pdf) é baseada numa análise do DIAP Departamento Intersindical de Análise Parlamentar, um órgão cuja imparcialidade o nome já esclarece. Segundo esta análise Serra votou contra: estabilidade no emprego, jornada semanal de 40 horas, criação de comissões de trabalhadores nos locais de trabalho, monopólio de distribuição de petróleo para a Petrobrás. Já o jornal diz outra coisa na capa, diz que Serra também foi contra: direito de greve, turno de seis horas, férias com adicional de 1/3, estabilidade do sindicalista, salário mínimo real. Ou seja, o jornal, apesar de se basear numa avaliação feita por gente de sindicatos, achou pouco e diz que Serra foi contra muito mais do que o próprio DIAP disse que foi.


A coisa mais bizarra nisso tudo é a posição a respeito do monopólio na distribuição do petróleo. Desde quando essa joça é um direito trabalhista?


Quanto ao que Serra supostamente votou contra, bem, foram as posições vencedoras, à exceção da jornada de 40 horas. A Constituição não contempla estes direitos elencados pelo DIAP. Ou seja, Serra votou com a maioria dos parlamentares, legítimos representantes dos eleitores, cuja maioria é composta de trabalhadores.


O DIAP diz textualmente que Serra votou a favor do direito de greve, mas o jornal põe na capa que ele votou contra. Caramba, o jornal distorce uma fonte que já não pode ser chamada de imparcial. Diante disto, qualquer pretensão de credibilidade é enterrada e assume-se o palavreado de ordem. Ordem do PT, claro.


Idêntico problema acontece com a proposta de turno de 6 horas. O DIAP informa que Serra votou a favor dessa idéia, não contra. Mas o jornal diz o inverso, que Serra votou contra. Os caras não sabem nem ler a própria fonte?


O DIAP também informa que Serra votou a favor do piso salarial, ou seja, um piso por categoria profissional. Em parte graças a isso é que hoje os metalúrgicos têm um salário invejável frente à maioria dos trabalhadores.


Serra também votou a favor da auto-aplicabilidade dos direitos trabalhistas, o que os colocou em vigor imediatamente, independente da edição de leis complementares ou regulamentares.


O tucano também foi favorável à participação de representantes de trabalhadores em órgãos de seus interesses. Só para dar um exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego está repleto de órgãos que contam com essa representação. O jornal não diz um nada sobre o dispositivo que garante a vários sindicalistas boquinhas boas em Brasília.


Mais. O DIAP diz que Serra votou a favor da substituição processual dos trabalhadores pelos sindicatos. Isto implica em que os sindicatos podem mover ações coletivas em nome de todos os representados. Os sindicatos hoje usam e abusam disto, tal expediente é uma de suas principais ferramentas de trabalho e de renda.


Conforme o mesmo DIAP, das propostas chamadas “dos trabalhadores” Serra votou a favor de 7 delas, não compareceu à votação de 8 delas e votou contra 5. Ou seja, votou mais a favor do que contra. Já o PT se colocou juridicamente contra todas. Todas. E mesmo assim, por qualquer estranho motivo, o jornal do sindicato acha que Serra gosta de trabalhadores menos do que o PT.


O jornal omite não só que o PT se negou a apoiar qualquer direito previsto na Constituição Federal, como também que as tais propostas dos trabalhadores não eram deles realmente, eram do PT. Os trabalhadores, como eleitores que são, votaram em deputados e senadores para elaborarem a constituinte. O PT tinha poucos deputados, era uma verdadeira minoria. Ou seja, a quantidade de votos recebida pelo PT não lhe dava o direito de dizer que suas propostas eram propostas dos trabalhadores. Pergunta-se: para o PT e o sindicato do ABC, quem é que votou na imensa maioria de constituintes? Vagabundos?


O artigo 7º da CF tem exatos 33 incisos, cada qual com um direito trabalhista distinto. O jornal não informa qual foi a posição de Serra quanto a todos estes dispositivos. Mirou-se apenas em 5. 33 X 5, eis a grande artilharia que o jornal preparou contra Serra. 33 direitos previstos na Constituição Federal e o jornal se apega a 5 pontos que não foram aprovados.


Ora, se o jornal queria falar mal de Serra, que falasse, mas ao invocar uma fonte, deveria no mínimo ser fiel a ela. Fale do que quiser, como quiser, onde quiser, mas tenha um mínimo de coerência. Mas sabemos todos que a esquerda dá mais valor a bordões do que a argumentos e fatos.

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