DAS BERINJELAS


Os petistas têm uns aliados estranhos. Nem é o caso de se falar em Sarney, Collor, Jader, Calheiros, Maluf e outros. O que pega mesmo são os de dentro do governo. Por exemplo, Henrique Meirelles, nascido no ninho tucano e até hoje com bico grande e amarelo, apesar de agora filiado ao PMDB. Com ele no governo e mais a continuidade de um sem número de antigos programas da era FHC, fica difícil entender porque o PT não apóia José Serra logo de uma vez.

Meirelles nada tem a ver com o perfil tradicional dos ocupantes de cargos no governo petista. Nunca passou perto de um sindicato, ONG ou “movimento social”, essa estranha denominação que agasalha as mais disparatadas variáveis de agrupamentos de pessoas. O cara é engenheiro formado pela USP, mestre em administração pela UFRJ, fez um cursão bacanudo em Harvard e até arrumou, na raça, um título de doutor no Bryant College, uma das melhores escolas de negócios dos EUA.

Trabalhou por muito tempo na filial brasileira do Bank of Boston. Fez carreira brilhante e chegou a presidente da instituição no Brasil. Tempos depois, virou chefão mundial do boteco. Pendurou as chuteiras em 2002 e foi se meter na política.

No mesmo ano em que Lula batia José Serra, ele se elegeu deputado federal pelo PSDB. Vai daí que, com medo de meter os pés pelas mãos e até o inverso, Lula achou que ele era um bom nome para tocar o BACEN, apostando que seu histórico no mercado financeiro acalmaria os ânimos da galera da Paulista e, claro, Wall Street. Dito e feito.

À frente do Banco Central, chegou a tascar uma SELIC de 26,5% no lombo da galera. Com apoio explícito do então todo poderoso Palocci. Levando a ferro e fogo a tucana política de metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal, foi abaixando paulatinamente as taxas de juros básicas, mas ainda em condições de brigar pelo podium mundial. Lula e outros petistas queriam partir pra farra logo de uma vez, gastando a valer, mas ele mostrou os perigos da sandice e conseguiu frear um pouco os ânimos dessa turma.

Pois dias desses ele arrematou que o caminho é esse mesmo e que torce que seu sucessor siga exatamente este caminho estabelecido pela trupe tucana, incluindo aí Pedro Malan e Armínio Fraga. Aqui: http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2010/10/15/meirelles-defende-que-seu-sucessor-siga-pilares-de-fhc/

É sabido que governos são feitos muito mais pelo segundo e terceiro escalões, o poder se exerce pela burocracia, o que, na prática, dá um baita naco desse poder aos burocratas. Nos EUA, por exemplo, a CIA é um órgão de segundo escalão, abaixo das secretarias, o equivalente deles aos nossos ministérios. Na prática, tem até derrubado presidentes por lá. Por aqui não é diferente. É aí, neste lamaçal de regras e carreiras, que os poderosos ocultos agem de verdade quando os astros da ribalta vão ficando saidinhos e cheios de gracinhas.

Seja como for, está mais que claro que ao PT interessa mesmo é manter-se no poder, ainda que para isso tenha de usar os planos de seu grande desafeto tradicional, seu irmão de sangue, o PSDB. O que prova, mais uma vez, que as coisas vão bem apesar do governo, não por causa dele.

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