A HORA MALDITA – parte 7 de 10


Apesar de tudo que vivia em casa, ainda conseguiu alguns anos depois passar no vestibular para jornalismo, mas a universidade ficava em outra cidade e não tinha dinheiro para pagar o transporte, especialmente se parasse de trabalhar. Outra vez foi o tio que a socorreu. Não naquele momento, mas um ano depois, quando conseguiu uma bolsa com um amigo sócio duma faculdade particular. De modo que ele lhe pagou os estudos.


A mãe foi piorando e piorando, em todos os aspectos, mas como estivesse cada vez mais paralisada e fraca, já não apanhava tanto. E a vó também estava bem ruim das pernas, literalmente falando.

Aos dezoito se apaixonou para valer pela primeira vez. Não havia muito tempo ou condições antes disso, mas teve lá suas quedinhas, mas cada vez que um menino se aproximava mais, os primos aprontavam das suas, fosse arrumando briga, fosse gritando no meio da rua que ela não era mais virgem porque tinha dado para eles. Era um colega de sala, um camarada que trabalhava com o pai numa transportadora e que nunca conseguiu explicar muito bem porque resolvera fazer jornalismo. Sexo foi um problema entre eles por algum tempo, mas um dia ela enfiou na cabeça que o único modo de passar por cima daquela merda de anos antes era deixando o cara enfiar dentro dela logo duma vez. Foi num fim de festa, o cara bem bêbado e como ela não mais resistisse às investidas ousadas e até meio porcas, foi ficando mais e mais doido e foi um troço bem animal, necas de romantismo, mas pelo menos não doeu muito e em alguns momentos até que conseguiu se entreter de leve. O sujeito não foi grande coisa nas primeiras vezes e ela só cumpria tabela, mas um dia ele conseguiu fazer a coisa prestando atenção nela e dali por diante ela foi pegando gosto pela coisa, especialmente porque começou a tomar as rédeas. Não era a melhor vida sexual possível, mas pelo menos estava próxima do que se espera seja a normalidade.

O cara era um galinha que não podia ver uma irmãzinha dando sopa e logo ela descobriu. Chorou muito, mas no dia seguinte já estava encarando bem as coisas. Seguiu a vida numa boa, sem problema algum. Arrumou outro namorado logo. E ele também era galinha. Veio outro. Também galinha. E assim foi, ela sempre descobrindo. Até que se tocou que não tinha jeito de competir com os hormônios masculinos, de modo que parou de procurar namorados. De vez em quando deixava um ou outro camarada numa festa ser mais ousado. Escolhendo bem e sempre no controle, se divertia cada vez mais e não sentia realmente falta de algo mais afetivo.

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