Bonzinho tem que se foder – parte 10 de 10


E foi seguindo a noite. Ela dava um segundo ou outro de atenção a ele, mas no geral, era como se não estivesse por ali. O que seria bem melhor e bem mais inteligente, mas já que estava com a merda pelo pescoço, dar uns mergulhos era o de menos. Ele sonhava que pelo menos conhecendo outras amigas gostosas dela poderia, eventualmente, diminuir o prejuízo, pobre imbecil. E foram justamente elas o pivô de toda a bosta que se seguiu.


Não só ela buscou três amigas com o carro dele, como ainda encontrou outras três ali e prometera carona. Com muito jeitinho, ela perguntou se ele não se importava de levar a todas embora. Claro que não, de modo algum, jamais. O diabo era que não caberiam sete pessoas num carro. Então, veio à sua mente a única solução possível: fazer duas viagens. Certo, certo. Mas aí havia mais um problema: o garanhão. O coitado também estava sem carro aquela noite e os amigos já tinham ido embora, deixando-o por ali. Bom, sendo assim, numa situação fodida dessas, só havia mesmo uma coisa a se fazer: emprestar o carro e ir embora de táxi. Sem dúvida. E assim foi feito. Mas ela não fez duas viagens, não. O cara foi no banco do passageiro e as outras se amontoaram lá atrás.


Era coisa de cinco da manhã quando seu celular tocou. Atendeu e ela começou a dizer que não sabia como tinha acontecido, não era ela que estava dirigindo, não entendeu, não viu bem o que tinha acontecido, mas agora já estava ali daquele jeito e…ele cortou, perguntando se alguém havia se machucado e ela disse que não, que tinham batido o carro numa parede. No motel. O tal garanhão bateu o carro dele num motel com a mulher que ele queria foder e até gostava de verdade. Verdade seja dita, cogitou desligar o telefone, mas tinha o problema do seguro. E lá foi ele. De novo de táxi. Era perto, uns doze quilômetros da sua casa.


Chegando lá, viu o acontecido. Na hora de sair da garagem o cara deu a ré sem noção de distância e raspou a traseira na quina da parede. Tentou consertar a cagada virando para o outro lado e foi para a frente e aí fodeu a parte da frente. Então o carro ficou raspado de fora a fora dum lado, com um amassado no ponto onde o imbecil parou na primeira etapa da grande fodeção com o veículo alheio. Na verdade não soube de nada, porque ela só sabia pedir desculpa sem parar e o camarada já tinha dado no pé, mas não era preciso ser gênio para concluir o que se passara.


Merda feita, o negócio agora era tentar limpar o rabo. Ligou para o seguro, aquela coisa toda. E ela entre uma desculpa e outra, disse que precisava ir, já era tarde, os pais podiam ficar preocupados. O problema quanto a isso era que o carro tinha que ficar ali até o guincho chegar, por causa duma porra duma exigência tremendamente estúpida e fodida da seguradora, e ela estava sem dinheiro. Ainda bem que ele tinha resolvido pegar a primeira calça que viu e era justamente a da noite passada e tinha sobrado uma grana. E por falar em grana, nesse momento veio o gerente retoricamente perguntar quem ia pagar a conta.


Ficou ali até o guincho chegar. Subiu no caminhão e pediu uma carona até em casa, porque não tinha mais dinheiro no bolso, mas o motorista disse não. Sorte que nem tudo está perdido nesse mundo: ganhou uma carona até o centro, o que sem dúvida alguam era um puta dum negócio. Depois de descer e bater duas quadras atrás dum caixa eletrônico, lembrou que esquecera o cartão em casa no meio da saída apressada. Mas, era um domingo de manhã, uma bela manhã cinzenta e fria. E caminhar faz bem. Então lá foi ele. De chinelo de dedos e camiseta furada.

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