A Morte de Craig Wilson – capítulo 1 – parte 7 de 8

 

Uns três anos atrás eu soube da verdade, a qual é mais fantástica que qualquer das histórias já inventadas sobre aquela família fodida. Encontrei-o totalmente por acaso numa farmácia. Patati, patatá, nheco-nheco, bah, blá, tititi, enfim: no dia do incêndio, ele havia tirado os freios do carro do pai, o que aprendeu de tanto ir torrar o saco alheio numa uma oficina lá “nas casas”, o que era uma idéia totalmente sua de muito tempo, e naquela mesma noite roubara uma garrafa de pinga do mercadinho, puta merda, justo ele que era o medo em pessoa, e espalhou um litro de aguardente pelo interior do carro para o pai ser preso numa blitz, no que fora inspirado em uma história do Demolidor (eu emprestei o gibi a ele, que nem gostava de histórias de super-herói, porque não conseguia entender o que acontecia e lia muito mal), mas no fim nem precisou de nada disso. Em casa, escondeu todas as garrafas do velho. Quando o pé de cana quis dar uma azeitada nas juntas, não achou merda nenhuma e começou a pancadaria, que culminou com o tal incêndio, cuja causa ele não explicou, apenas disse que nada tinha com aquilo, mas que viera a calhar. O pai saiu de casa para comprar cachaça, mas sabê-se lá porque o levou junto. Como era tarde da noite, rodaram um bocado e não acharam nenhum boteco. De repente, caiu de dentro da jaqueta do Astronauta um pequeno frasco de uísque, que aliás era um dos xodós do pinguço. O velho ficou tremendamente puto da cara desceu e sentou porrada com gosto. E ele então confessou que todas as garrafas estavam no porta-malas. O traste parou o carro na hora e foi conferir. Nisto estavam em uma rodovia que passa lá por perto do conjunto, só que já alguns quilômetros longe, em direção ao interior porque o cidadão estava bêbado demais para perceber que dirigia para o lado errado: não ia encontrar um boteco antes de rodar uns cinqüenta quilômetros! De fato, as garrafas estavam todas lá, até as que ficavam escondidas no motor da geladeira.

Mais emputecido ainda, o pai deu a volta, abriu a porta do carro, arrancou o Astronauta de dentro e continuou a soca-lo com vontade. Bateu tanto que ele perdeu a consciência. Acordou em um hospital. Lá contaram que fora encontrado em um rio. O carro caiu de uma ponte, a porta se abriu e ele foi levado para longe pelas águas, não muito nervosas ali. Nunca mais voltou para casa. Foi morar na rua, viveu por aí, como um menor abandonado. Estava caindo na criminalidade pesada quando foi parar em uma casa de meninos, isso dois e mil quinhentos quilômetros ao norte. Ali descobriu que era um grande cantor. Entrou para um coro de Igreja, depois para uma banda de formaturas local, depois uma banda de formaturas da capital. E assim vive até hoje, tocando em bailes de formatura. Está bem de vida, casou, comprou casa, carro e já até conhece Miami. Tava mais gordo que nunca.

 

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