Prá dia ruim, noite de passados – parte 5 de 8

Na volta, uísque com energético numa mão, para ele, caipirinha de vodca para ela, porque o aditivo a fazia arrotar sem parar. Contorceu-se pela multidão, chegou até ele e quando se deu conta, estava numa roda de quatro seres humanos nascidos do sexo masculino, os quais dançavam bastante próximos uns dos outros, em trejeitos deveras malemolentes e serpenteantes. Ficou um pouco em dúvida se se afastava ou não quando começaram a chegar mais perto e fazer encenações lascivas consigo. Preferiu se manter um pouco mais distante, porque sabia que aquele viadagem vulgar impediria a aproximação de qualquer homem.

 

Enquanto dançava ao lado do grupo, percebeu seu amigo escancaradamente excitado com os demais. Ela e toda a boate, porque sua calça vermelha era mais justa que a cintura da Barbie. E porque a cinta era de couro roto prateado. E porque apresentava a zona do zíper num cintilante dourado. E em prateado. E em azul. E em roxo. E sua camiseta preta apresentava um desenho abstrato em tons verde-limão e cenoura de um anjo africano ereto beijando uma demônio de seios californianos. Talvez alguém tenha reparado nas lentes de contato azuis. Ou no brinco ametista em forma de cruz de cabeça para baixo.

 

Ficou ali dançando por uns minutos, até que um camarada de barba por fazer, meio grisalho e com um olhar cevado, quer dizer, aquele jeito de peixe morto resultado de muita birita, tentava lhe explicar alguma coisa sobre a bebida que carregava na mão, um líquido azul esfumaçante, que ela recusava seguidamente. Nisso avistou um amigo que não via fazia tempo e foi até lá. E o camarada foi atrás. No meio do caminho, alguém segurou seu braço, ela olhou, não reconheceu, deu uma risadinha, tentando se soltar com a outra mão, mas o cidadão lhe puxou com mais força e então ela se deu conta de que era um dos médicos daquela manhã. Ela o cumprimentou com um beijo. Não gostou do perfume ácido dele. Nem da camisa azul clara, que o fazia parecer um bebê gigante com a fuça suja de carvão. Seu amigo não estava por perto e ela o pegou pela mão para mostrar-lhe o socorrido.

 

Atravessaram a boate, ela, o Tilápia e o Macaco Gordo, indo sem ser convidado mesmo. Quando chegou até o estagiário, fez as apresentações, só então se tocando de que seu velho amigo estava ali. Um velho colega, na verdade, fizeram uma disciplina juntos na faculdade. Ficaram umas vezes em algumas festas, provavelmente grandes e boas festas, já que delas não lembrava muito bem. Trocaram umas palavras sobre conhecidos e ele rapidamente perguntou se ela estava sozinha por ali. Antes que respondesse, chegou o outro médico. E logo estavam todos enturmados, os médicos,que chegara o outro no meio tempo, o velho estepe, o Lambari grisalho e toda a galera cintilante.

 

Dança com um, dança com outro, conversa vai e conversa, vem acabou entendendo que não eram médicos, mas enfermeiros, que o Atum era um corretor de seguros e que o Delivery Cock agora estava se divorciando pela terceira vez e trabalhava com venda de carros usados. E soube disso tudo e mais ainda porque a competição entre eles era obviamente feroz.

 

Mas o causo é que aquela atenção toda a fez perder a noção da hora e do quanto já bebera, mesmo porque não voltou ao balcão uma vez sequer, mas as bebidas não paravam de chegar, vindas pelas mais variadas mãos. E as bichas não cansavam de elogiá-la e tocá-la, causando gritante inveja nos homens. Em algum momento o grupo já estava em menor número que os copos circulantes, o que os obrigou a beber mais rápido.

 

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