Prá dia rui, noite de passados – parte 6 de 8

Começou a ouvir uma saraivada de cantadas e elogios comuns, vindas de todos os homens. Tentava apenas dançar, mas obviamente estava se sentindo muito bem com tudo aquilo acontecendo em sua volta.

 

A certa altura, os viados começaram a reclamar das músicas e sugeriram ir para outro lugar. Deu-se uma profusão de nomes de bares e empecilhos a cada um deles. Finalmente o estagiário sugeriu irem para sua casa. A idéia foi bem recebida, ou pelo menos não causou tanto alvoroço.

 

Foram para a fila de saída, pagar. Chegando lá, não entendeu o valor que a mocinha de vestido amarelo e presilha vermelha lhe informara. Astronômico, incluindo um sem número de itens desconhecidos, mas até aí já estava naquele ponto em que qualquer coisa lhe seria marginal à memória. Mesmo assim, sentia que não poderia ser verdade. A funcionária disse que era aquilo mesmo e ficou olhando-a com a expressividade de um Keanu Reeves, com quem se parecia, aliás. Já alterada, não entendia nada e chamou seu amiguinho, o qual também não acreditou. Vieram então os viados e, num devir essencial dum imperativo categórico estrutural, começou um pequeno tumulto, atraindo a presença de seguranças. Veio o gerente, ou coisa que o valha, e estabeleceu que a única coisa a fazer era pagar. Findo o burburinho, ela suspirou e sacou o cartão, mas a operação não fora autorizada. Não havia limite suficiente. Apresentou outro. E um terceiro. Nada. Pensou em dar um cheque, mas estava sem já fazia tempo, mesmo assim começou a procurar na bolsa por alguma abençoada folha perdida, que, obviamente, não foi achada. Mas no vira e revira acabou dando com o dinheiro que a amiga, coloquemos os pingos nos is, lhe dera para pagar sua conta de luz. Não era o suficiente também, mas depois de algumas tentativas, as cédulas se somaram ao limite de dois dos cartões e a conta foi paga. Fechou a bolsa e virou o resto do copo que viera lhe parar às mãos, saído sabe-se lá de onde e muito menos do quê.

 

Entrou no carro e junto o Salmão e seu amiguinho multicolorido. Seguiu o restante da turma, empaçocados em algo remotamente parecido com um veículo automotor. Quando deu por si, estava já dentro dum pequeno apartamento, bem decorado até, basicamente uma sala média com sofás, balcão, uma pequena mesa, pia, dois armários em aço escovado, um cinza próximo ao sofá vermelho e repleto de almofadas coloridas, ilhado por um tapete mostarda com bordas vinho, além de um sem número de elementos coloridos e cromados, cem por cento inúteis e de formas jamais vistas na natureza, uma porta de um pequeno quarto e de banheiro minúsculo, enfim, um lugarzinho descolado. Não era a casa do seu estagiário.

 

A luz era amarelada e forte como a Sandra Bullock, que em nada combinava com a música acelerada e estridente que saía de um pequeno aparelho de som.

 

Havia dois incensos acesos em lados opostos do ambiente, um exalando um cheiro parecido com maça temperada com água sanitária e o outro chá de camomila com fuligem, fosse o que fosse, tinham nomes pomposos e vinham em caixinhas decoradas com ideogramas japoneses e chineses misturados.

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