Por que engrandeceram o reducionismo que nada reduz?

Cidadão que usa a curiosa alcunha de Pesky Bee lembra algo deveras importante:

“No dia 25 de Dezembro, iremos todos comemorar o nascimento de uma pessoa muito importante. Um marco para a humanidade, uma pessoa que influenciou imensamente todos nós. Nesse dia 25 de dezembro todos nós teremos que nos lembrar do nascimento dele, que foi fundamental para a humanidade. Sim, estou falando dele mesmo, em pessoa: ISAAC NEWTON!”

Colhamos da churraqueira umas brasas das grandes, separemo-as e as deixamos ali, avivadas, prontas para voar à boca de quem vier falar da oposição entre religião (visão metafísica) e ciência. “Ah, a ciência tem uma filosofia reducionista”. Haja saco.

A “filosofia reducionista” nem existe. E a oposição entre ciência e filosofia é absurda e resulta de um equívoco gerado pelo mau emprego das palavras, essa maldição plurívoca. Se filosofia usasse matemática, duvido muito que houvesse alguém dizendo coisas como “o homem não é biologia, é história” e outras maluquices.

O como das coisas, coisas propriamente ditas (pedras e paus), não é oponível ao porque das coisas na visão humana e nem às “coisas” (situações humanas, interações humanas, desejos humanos, etc – coisas da vida, digamos) e nem às significações das coisas e “coisas” para os humanos.

A descrição da natureza nunca foi tão bem feita como pelo método científico. Alguns filósofos e o público em geral confundiram tudo, acreditando que a descrição do Big Bang contradizia o Gênesis, o que decorre do fato de não compreenderem as naturezas distintas de ambos os discursos.

Essa história de que a ciência reduza o homem a isso ou aquilo é tolice. A ciência só mostra como as coisas são, não o significado delas e nem seu papel em qualquer plano, missão, destino ou o diabo que seja. O que a ciência faz é, grosso modo, descrever uma Ferrari friamente, o que resulta num discurso que, obviamente, tira dela toda a sua história, sua mística, valor sentimental, valor social, valor estético, etc, porque impertinentes ao objetivo da análise em questão; o que não quer dizer que eles não possam ser produzidos, só não estão presentes no como ela é. Dependendo do nível de análise, não há diferença alguma entre a descrição de uma Ferrari e um Fiat 147, mas é preciso ser muito xarope para acreditar que eles sejam a mesma a coisa em qualquer contexto (a significação deles aos proprietários, por exemplo) ou que a ciência está querendo reduzir uma “Ferrari” a um 147.

Valores são subjetivos, sempre, logo, dependem de quem vê, são produzidos por quem vê. A ciência não valora, descreve. Infelizmente, as diversas visões de mundo e do mundo usam um conjunto de palavras comuns absurdamente grande, mas para designar significados diferentes. Juízo de valor, juízo de realidade, seria necessário criar uma língua para cada?

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2 Responses to Por que engrandeceram o reducionismo que nada reduz?

  1. John, você discerniu sobre acreditar, crenças. Bem sabemos que discutir sobre isso é pura perda de tempo. 🙂

  2. Alexandre disse:

    É vero, mas nem todas as crenças são tão arraigadas assim. Vai que dando uns toques povo enxerga capim onde vê alface.

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