A Estranha Face da Bizarrice – parte 3 de 4

– E o quê? Vai me dar porrada até eu ficar com a cara torta?

 

De olhos arregalados, o outro não sabia o que responder, olhou para cima e continuou depois de um tempo:

 

– É cara, tu é mesmo muito homem, se escondendo atrás da sua condição, aí, da tua deficiência, só porque você é especial…vai falando, aí….é…

 

– Deficiente é o cérebro da sua mãe, que te deu a pior educação possível…aprende aí: eu não sou deficiente físico e nem especial porra nenhuma, eu sou deformado. E minha condição atual é só de puto da vida porque você não honra tuas bolas atrofiadas de tanto esteróides e não cumpre o que promete.

 

– Meu, faz o seguinte, fica aí, ou vai procurar seus direitos que eu vou cuidar da vida, ta…

 

– Tá achando que eu sou o tipo do cara que vai no Procon? Bicho, se você não me arrumar a merda do peixe eu começo a quebrar tudo aqui e já vou adiantando que não tenho nem merda pra cagar pra pagar teu prejuízo…mesmo porque parece que toda merda do mundo já ta na tua pança, pronta pra sair a qualquer minuto, você ta podre cara, é uma bufa atrás da outra, dá licença…porra, se tem uma coisa pior que viado é viado peidorreiro, fedido…

 

– Ah..ah, não…ô caralho – aquietou-se por meio segundo e disparou uma tremenda porrada de baixo para cima na prateleira de vidro, formando uma cascata barulhenta de cacos, filtros, bombas, compressores e outras traquitanas. O sangue cobriu-lhe toda a mão e pingava rápido no chão. Todos na loja, se já não sabiam o que era melhor fazer, esperar o gorila socar a cara feia do outro ou aproveitar para despejar suas reclamações também, perderam-se de vez.

 

O bombado olhou para sua mão, ergueu a cabeça um pouco e desabou estrondosamente.

 

– Pronto, a donzela não pode ver sangue…dai-me paciência. Quanta viadagem cabe num cara só? Imagina se ele não tomasse testosterona a rodo…

 

Antes que alguém pudesse chegar perto, o maior abriu os olhos e esboçou um arremedo de recuperação. Pra azar dele, o camarada da boca suja mostrou-se muito rápido e chutou sua cara e pisou em seu pescoço, fazendo um barulho que tirou dum cidadão mais ao fundo da loja um gemido inequivocamente contrário a qualquer esboço de masculinidade.

 

– Você vai fazer o seguinte: vai ligar pro cara pra quem vendeu a outra cobalto, vai comprar de volta, não interessa o preço, vai fazer ele trazer aqui em cinco minutos, vai me entregar e eu vou embora. Se não for assim, eu esmago teu gogó e ainda quebro tudo, faço um pampeiro dum jeito que ninguém vai ter tempo ou condição de chamar uma ambulância e só Deus sabe quanto sangue você já perdeu e vai perder até chegar um socorro. Tamos conversados?

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