A Estranha Face da Bizarrice – parte 1 de 4

Tem um rosto deformado, alongado e inclinado para o lado direito numa angulação tal que a ponta esquerda de seu queixo fica alinhada exatamente na metade da sua clavícula, ao passo que a ponta direita fica precisamente no meio do peito. Poder-se-ia dizer que passa o tempo todo inclinado, mas seria pouco. É mesmo um rosto muito estranho.

 

Também tem o braço direito sempre junto ao corpo e o antebraço não faz o movimento completo para baixo.

 

Por fim, a perna esquerda é um pouco menor que a direita, mancando sutilmente.

 

No resto, quase normal, um pouco magro, imberbe, coisa de metro e oitenta, cabelo castanho em corte tigela.

 

Sim, lembra um tanto o grotesco Hawkins.

 

Estava de frente a um sujeito moreno, cabelo raspado, com quase dois metros de altura, musculatura absurdamente turbinada, indefectível usuário contumaz de esteróides e consumidor em doses paquidérmicas de todo tipo de suplementos alimentares, razão pela qual peidava a cada quinze segundos ou menos. A discussão já avançava por quase cinco minutos:

 

– Vá tomar no cu. – dizia –obviamente soava assim: cú.

 

– Peraí, assim também não –respondeu o grotesco maior – se vai partir pra baixaria, aí não tem negócio.

 

– Não tem mesmo, não quero negociar, já negociei semana passada. Paguei, agora eu quero o que é meu.

 

– Mas eu já te expliquei…- antes que pudesse terminar, o primeiro avançou:

 

– Se eu gostasse de explicações ridículas eu assistia entrevistas de políticos. Pode limpar a bunda com sua explicação. Não comprei explicação, você é professor dalguma merda, hein?

 

– Cara, vai de leve, paciência tem limite.

 

– É sério? Mesmo? De verdade verdadeira?

 

– Não chegou, entendeu? Não chegou, não chegou…não chegou. Era pra ter chego, mas não chegou, não mandaram, veio de tudo, olha aí, vê aí quanto caixa espalhada na loja, tá cheio de peixe aí, caramba, só que o teu não veio. Mesmo que tivesse vindo, tinha que fazer a adaptação…

 

– Já taria feita, se tivesse chegado quando você prometeu. Não é problema meu, eu não perguntei quando vinha, perguntei quando eu poderia passar pra levar, tem alguma razão pra você ter confundido levar com chegar?

 

– Meu, calma, vai chegar, logo chega, vou ligar lá e ver o que aconteceu…

2 respostas para A Estranha Face da Bizarrice – parte 1 de 4

  1. […] não dá asas para cobras, era o que pensava ao sair da loja de aquários, ao ver aquele bisonho camarada, horrível até, peitar o dono marombado. Não se intimidar e não ficar se escondendo atrás de […]

  2. […] dia ruim, noite de passados – parte 1 de 8 (anteriormente: a estranha face da bizarrice, as cobras andam a roubas […]

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