Conto de Boa Noite – parte 3

Como era de outra cidade, não a reconheceu. Não foi muito competente no seu trabalho, mas um gracejo meu, que resultou num esbarrão, aproximou os dois. Voltei para o hotel, o qual paguei mais caro por causa do meu cheiro. Por acaso era o mesmo hotel em que os dois se enfiaram. Dormi. Eles não, nem deviam por conta do que pedi a ela. Quatro e meia entrei no quarto. Estava tão bêbado e exausto que não ouviria nem uma filarmônica tocando no banheiro. Garrafas pelo chão, muitas, muitas. Ela se foi. Disse que dormira não fazia cinco minutos. Cri. Joguei o travesseiro em seu rosto. Sentei-me em cima. Abri a garrafa que carregava. Joguei a gasolina, poucas entornadas, e pus fogo em seu sexo. Só ali. Só mesmo. Fiquei todo o tempo sentado em seu rosto. Dois minutos depois as chamas acabaram. Fiquei em pé. Tirei o travesseiro. Estava vivo e consciente, mas claro, atordoada. Esmurrei-lhe o nariz, fechei seus dois olhos. Cansei. Abri um refrigerante, perguntei se queria um pouco. Não respondeu. Tomei o refrigerante. Recuperou-se um pouco e veio para cima de mim, com forças tiradas não sei de onde. Bati-lhe o rosto mais um pouco. Largado na cama só gemia. Quis abrir sua boca, mas resistiu. Voltei à carga, agora auxiliado pela garrafa de refrigerante. Com ela forcei sua mandíbula. Boca aberta, derramei a gasolina restante. Sentado sem seu peito, evitei suas tentativas de desembaraço. Sabia que o combustível havia chegado ao estômago. Fiz uma trilha da boca à lateral da cama. Ali ateei fogo, pulando rapidamente. Imagine o fogo percorrendo a traquéia, o esôfago e finalmente o estômago e algumas gotas que porventura atingiram o pulmão. Assisti ao espetáculo agonizante, enquanto apagava o fogo na cama. Não podia gritar, o ar de sua garganta se consumira pelo fogo. Não durou mais que três minutos. Vivia ainda. A idéia era fazê-lo sofrer. Havia, como pensei, muita bebida à disposição. Apliquei-lhe na veia uísque puro, ou o mais puro que pode ser um uísque de bordéu. Uma seringa pequena, dessas de farmácia. O coma alcoólico seria facilmente detectado. Aumentei a dor, deixando a seringa na veia após puxar todo o êmbolo, o que fez com que seu sangue se derramasse continuamente. Fui embora.

O médico legista descreveu o acontecido. A notícia correu cidade e campo. Meu empregador estava contente. Eu sabia que começaria uma pequena matança.

Onde se encontra o maior perigo para todo o futuro dos homens? Não é nos

bons e nos justos ?

Parti, parti os bons e justos! Ó, meus irmãos, compreendeis também esta

palavra?

De fato, foi por causa deles que tantos sofreram. E por quê? Porque a justiça dos homens é pequena demais para servir à grandeza do sujeito. Porque a bondade da humanidade é estreita mui, não alcança o âmago dos indivíduos, não chega ao coração dos homens. Porque o vulgo é imprestável.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: